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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

dos críticos


João Bonifácio (JB), crítico de música (entre outras coisas), assina no último ípsilon (suplemento do Público), um artigo a propósito do álbum In search of Stoney Jackson (2010), dos Strong Arm Steady, em que os elogios são tantos e tão profundos, que o leva mesmo a dizer, com honras de sub-título (na versão impressa), que estamos perante "o melhor disco de hip-hop, jazz e funk que se ouviu em muito tempo". Assalta-me logo uma dúvida: o que significa, ao certo, "em muito tempo"? Um ano, dois? Uma década? Bem, em qualquer das duas, o juízo parecer-me-ia infundado - basta pensar no álbum Early Believers (2009), de Kero One (álbum de que estranhamente ninguém falou para os melhores discos de 2009). Por outras palavras: parece-me a mim que neste artigo, o crítico padece do vício tão natural dos críticos que mais estão por dentro da "cena": o "deixar-se ir", a apreciação exacerbada própria de quem está em contacto muito directo com o autor da obra e que, por isso mesmo, acaba por se lhe toldar um pouco a razão. Compreendo o excesso (sem ironias!); mas para quem lê e depois ouve, é inevitável percepcionar uma certa alienação de quem avalia.
Mas é In Search of Stoney Jackson um mau disco? Não, claro que não. É um bom disco, até porque a produção esteve nas mãos de Madlib e isso significa inexoravelmente boa música. O que acontece é que In Search of Stoney Jackson não é o disco que JB descreve nem de perto nem de longe (cheguei mesmo a pensar na possibilidade de ter ouvido uma mixtape do mesmo grupo, mas com o nome trocado). Que os beats são muito bons, ninguém discute (volto a lembrar o factor-Madlib); mas o que também ninguém poderá conscientemente afirmar é que sejam alguma coisa de extraordinariamente fresco, original. São os samples da velha escola, o mesmo é dizer, soul e funk norte-americanos dos anos 60 e 70. Claro que um "clássico" (JB não hesita em assim apelidá-lo!) também se faz (talvez na maioria das vezes, até), não de coisas "frescas" e "originais", mas de produtos consolidados e sabiamente explorados.

... (escrevo e reescrevo mil vezes um parágrafo)
Stop: talvez esteja a ser injusto. Façam por vós próprios: antes de ouvirem o disco (ou as faixas abaixo), leiam o artigo, absorvam-no e pensem em que tipo de disco estão à espera. E depois, finalmente, oiçam-no. E dêem-me o vosso feedback. :)

O artigo (penso que é a versão completa) pode ser lido aqui.



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Shades of blue



Lançado em 2002 pela histórica editora Blue Note Records (que juntou gente como Coltrane, Horace Silver ou Donald Byrd, só para citar alguns), Shades of Blue é uma remistura de grandes registos da história do jazz americano. A receita não é, de todo, nova: construção e desconstrução de beats, lado a lado com os pianos, os saxofones ou os trompetes. Todavia, se não é nova, não deixa de ser de difícil execução. E, não sendo nova, é também sempre difícil repetir a execução com qualidade e originalidade, evitando ementas e ingredientes exaustivamente cozinhados. Obviamente que isso só está ao alcance dos melhores e Madlib, depois da partida de J Dilla, ficou provavelmente sozinho sentado no trono dos produtores da cena hip-hop norte-americana.

"Slim's Return" (original de Gene Harris & The Three Sounds)


"Song For My Father" (original de Horace Silver)