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domingo, 28 de dezembro de 2008

Cose, descose e remenda


Sr. Alfaiate é um heterónimo do produtor, rapper ocasional, mestre do turntablism e dj Nel Assassin, de quem já tocamos por aqui um belo beat.
Desta feita, a menção vai para o seu fabuloso A vida na ponta dos dedos (2006). Um disco muito ao estilo de Pete Rock (aprecie-se o seu delicioso Soul Survivor) onde o hip hop, o soul, o rnb e o funky fazem a festa. Impetuoso nos beats, clássico nos samples de soul, meloso nos vocals (Kika Santos, SP e Melo D) e atrevido quando chama por um pé de dança, este é um Nel Assassin ao nível dos melhores produtores americanos de hip hop da velha escola. Velha escola na técnica (o scratch, o sample, a mistura, enfim, o mágico turntablism) e na emoção ímpar do soul e do funk que os beats transmitem. E por isso é que a metáfora do título do disco faz sentido.
Como se ainda não bastasse, o rol de convidados é de luxo: Melo D (por aqui tocado há uns tempos), SP, DJ Riot dos Buraka Som Sistema(agradável drumNbass final), Kalaf (o cavernoso poeta do além) e o inevitável Sam the Kid.
Neste ano que finda foi dos discos que mais me prazer me deu de escutar. Os meus sinceros parabéns pela genialidade.
Big up!

(Infelizmente, não há qualquer registo deste disco no youtube. Se alguém souber como linkar aqui apenas mp3 que me diga por favor)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

(um) Ideal

Sam the Kid é dos artistas de música portuguesa que mais aprecio e admiro. Sempre que partilho esta ideia com algum amigo, é grande o espanto por gostar tanto de um rapper como gosto de Jorge Palma ou Sérgio Godinho. E isso, a meu vêr, só revela desconhecimento profundo no terreno.
Não me vou alongar muito sobre Sam the Kid pois a sua discografia, os seus concertos, os prestigiados convites lá de fora e as inúmeras colaborações com grandes artistas portugueses (caso de Carlos do Carmo, por exemplo) falam por si. Digo mesmo que não saber hoje o que é a música de Samuel Mira, é uma carência para todos os aficionados da boa música portuguesa. É que são tantos mas tantos os elogios dos mais variados quadrantes à arte de Sam que é só por manifesto preconceito que se pode desconhecer quem é e o que faz (o que é diferente de gostar, atenção). Falo em preconceito porque ainda hoje a fobia e a estereotipização que é feita à volta do Hip Hop é grande. É não perceber que se trata de uma arte multifacetada, de uma cultura própria que vai beber influências a muitas outras (pintura, dança, roupa, música, poesia) e que não deve ser menosprezada. Pelo menos enquanto não se tem opinião devidamente formada sobre o assunto.

Deixo aqui O Ideal, beat (já antigo) do oldschool Nel Assassin (um dos masters portugueses nos pratos) acompanhado pelo liricismo de Sam the Kid. Deixo também duas versões da música: a original, onde aparece o rapper Sagas no refrão; e uma mais recente, feita especialmente para a MTV. Nesta, o beat misturado por Cruzfade pertence aos míticos Souls Of Michief. Trata-se da faixa 93 'til Infinity, uma das melhores do seu disco de estreia (e uma das faixas mais emblemáticas do Hip Hop americano) com o mesmo nome datado de 1993.

Encontram a letra aqui.

Acordar e ver o sol no céu,
Selvagem é a imagem que eu tenho do meu
Cenário diário porque o elogio é prioritário
Mas tudo o que eu quero e chega é só o que é
necessário
Amar quem me ama, parentes e dama é o topo
E eu não poupo eu dou, por tudo e fico com pouco
No meu corpo saúde é o essencial
Sensivel a um decibel no silêncio total
Na criação eu preciso de tar só
Necessito da sensação dum sorriso da minha avó
Ter guita suficiente pa ser independente
Procurar o melhor, saír do praticamente
Ser feliz, na raiz, onde tudo começa
Ter cabeça na diferença, estar a par do que interessa
Manter os pés na terra, mãos à obra,
Olhos em movimento, atentos a qualquer manobra

Progressão ou não na escala numerosa
Ter profissão em função duma relação amorosa, hiphop!
É respira-lo é inspirar quem o faz
É transpira-lo e transporta-lo aonde quer que ele
viaje,
Sempre..! faço a promessa, cumpro e meço o compromisso
Business, aparece sem excesso de intrujisse
O ideal? é ser vivo, é ser livre, ser naif,
Só no meu livro, verídico, e dar o litro
Em formato impreciso, sabes que isso é de obriga
Não falecer sem fazer crescer uma barriga
Na altura ideal com moral e condições, (boy)
É admitir defeitos, controlar emoções
Valorizar actos sentidos, sem todos sabermos
Segredos, sem truques, sem tiques


O ideal? É no amor ser discreto, é respeitar o aspecto
É partilhar um afecto com alguém restrito






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