"Just when you think that real voices are gone and replaced by synthesized vocoders or perfectly melodined melodies, comes a real voice. A voice who’s texture, tone and timbre seem to trace the history of real jazz greats. A voice that when you hear it, you know that’s what defines the word voice. Ladies and Gents José James" – King Britt.
Obra prima que, por razões desconhecidas, ninguém se lembrou de mencionar para os melhores discos da primeira década deste século (estou a lembrar-me de uma seriação assim feita pelo ípsilon).
Foi um dos guitarristas mais requisitados por todos os nomes grandes da soul e do funk norte-americanos, desde Marvin Gaye a Barry White, dando ainda uma mãozinha a monstros do jazz, casos de Herbie Hancock ou Pharoah Sanders. A sua guitarra e o seu muito próprio "wah wah sound" está presente numa catrapada de grandes álbums da história da música - pensemos apenas em Let's get it on (Marvin Gaye) ou Off the wall (Michael Jackson) para termos uma noção da coisa. A solo, tem apenas um álbum em nome próprio: Elementary (1976). É pouco? É. Mas a sua qualidade chega para nos dar uma imagem do músico que é Wah Wah Watson (nascido Melvin Ragin). Em entrevista à Wax Poetics dos passados meses de OUT/NOV, Kurt Iveson desvenda um pouco do homem-sombra de grandes momentos da música negra norte-americana, apontando nesse sentido 5 ideias-chave para se compreender a dimensão de Wah Wah. Passo a enunciar: um "vocabulário rítmico" muito próprio ("he's constantly doodling"); a forma como soube fazer uso de novas tecnologias (samplers e synths, por exemplo); a execução, a habilidade, a técnica, os skills; o "feeling" com que toca; e o último - o que me interessa pela sua peculiaridade - o marketing, o business. Sobre este, em especial: Wah Wah summed up his strategy like this: "I'm the bone looking for the dog, not the doog looking for the bone. (...) It's like, if you see someone you like, don't rush in there. You gotta be real casual, dog... That way, you'll make her want to come to you. Are you with me?". His point is that getting session dates is a little like getting the other kind of dates. Act like you need the work, and it just won't come. Come on too strong, and you're likely to get the bursh off.
Naif? Pretensioso? Para quem faz um disco como Elementary... compreende-se! Goo Goo Wah Wah
O original que aqui fica não é, na verdade, o original, pois esse, o de Curtis Mayfield, não existe no youtube. Mas fica o remake feito para banda sonora do filme Claudine, de 1974.
Anda nas bocas do mundo (leia-se do meio blogosférico) e não é a despropósito. How I Got Over é o novíssimo álbum dos The Roots com data de lançamento para este mês. Depois de Rising Down (2008) - disco que pessoalmente não me me agradou particularmente, como podem constatar aqui - o single "How I Got Over" promete o regresso a um registo mais próximo de álbums memoráveis como Organix (o primeiro da banda, em 1993) ou Do You Want More?!!!??! (1994). Com este seu nono (!) álbum, os The Roots consolidam-se como uma das bandas mais prolíficas de sempre na história do hip-hop. Aliás, mesmo comparativamente com MC's a solo, não são muitos aqueles com nove discos no cartão de visita - muito menos nove discos com a qualidade dos deste pessoal de Philadelphia. Pois bem... venham mais e mais! :)
P.S.: Alguém sabia que o Black Thought (também) cantava? E que bem que ele canta...
do Enter the Wu-Tang (36 Chambers) dos Wu-Tang (o meu caso, é verdade!), mas aprecia a sonoridade do albúm em geral, nada melhor que o disco Enter the 37th Chamber (2009), da autoria da banda El Michels Affair. Jazz, soul, funk e muita melancolia numa cover em registo orgânico e puramente instrumental desse mítico albúm dos W. Beautiful!
e muita soul, também. Dela disse James Brown - segundo wikipedia, amazon e outros - ter sido a melhor cantora com quem já tinha colaborado. Disco que reúne uma série de inéditos das décadas de 60 e 70.
... vai dar muito que falar! Estava eu a aborrecer-me com o que ouvia na colecção Future Hip Hop quando na faixa 5 (disco 2) despertei com a jovem Speech Debelle. Speeche Therapy é o album lançado este ano pela estreante. De Londres, e pela amostra abaixo, vem hiphop de sonoridade muito peculiar: na voz limpa e irreverente de Speech Debelle e no ambiente orgânico soul, jazz e pop. Lauryn Hill, Macy Gray, Jean Grae... um pouquinho de todas! :)
do último post sobre o dvd do Stevie Wonder, ouvia eu a "I Wish" do album Songs In The Key Of Life (disco 1), quando tive a percepção de que já conhecia aquela malha de algum lado... E conhecia!: a música serve de sample ao enorme êxito "Wild Wild West" do Will Smith. Ambos excelentes para tocar numa festa que se queira com muuuuito groove! A voz do refrão pertence ainda a Kool Moe Dee.
Li no suplemento ípsilon do jornal Público que o Stevie Wonder lançou recentemente um dvd com um concerto ao vivo: Live At Last: A Wonder Summer's Night, com a chancela da Motown (quem mais?). Na crítica assinada por Mário Lopes, são destacadas pérolas de alguns dos primeiros discos do Stevie Wonder que tenho andando a escutar intensamente nos últimos tempos: Talking Book (1972), Songs in the Key of Life (1976), Innervisions (1973) ou o Fulfillingness' First Finale (1974). Aliás, no CHILLING da barra direita do blog está a tocar nada mais nada menos que a Higher Ground. Tanta coisa boa de um dos últimos grandes nomes vivos da música soul!
Está aí no chilling do dia uns dos sons do Early Believers do Kero-One. Serei o único que está absolutamente deliciado com este disco? É que eu não consigo parar de ouvir...
Pois é! E chama-se Early Believers. Novo disco de Kero-One. Groove, soul, bom clip,... Kero-One igual a si próprio. Depois do ep Check The Blueprints (2004), Windmills of the Soul (2005), Kero One Presents:Plug Label (2007) e mixtapes várias, aí está mais um delicioso trabalho de um artista com uma sensibilidade melódica única.
É realmente bom voltar a ouvir, passado tanto tempo, um super disco como é o College Dropout (2004). Kanye West, pois claro. Hoje em dia, tenho uma aversão perto do patológico pelo Kanye. Está gabarolas, arrogante e não passa um mês sem dizer um disparate. Mas é também hoje, com outros olhos, que apreendo toda o génio e qualidade do artista. College Dropout permite-me esquecer o Kanye-poser e deliciar-me com o Kanye-superprodutor. College Dropout foi galardoado com todos os prémios e mais alguns, quer por autoridades especializadas na matéria (hip hop), quer por revistas e publicações sobre música em geral. Vale a pena atentar neste excerto da wikipédia:
It was nominated for the Album of the Year Grammy Award, and won Best Rap Album and Best Rap Song for "Jesus Walks" in 2005. It was voted as the best album of the year by Rolling Stone magazine and in The Village Voice Pazz & Jop critics poll, was ranked #1 in Spin magazine's "40 Best Albums of the Year", and received a near-perfect 4.5 mic rating from The Source. Comedian Chris Rock has attested to listening to The College Dropout while writing his material.In 2005, Pitchfork Media named it #50 in their best albums of 2000–2004. In 2006, the album was named by Time magazine as one of the 100 best albums of all time.Entertainment Weekly listed the album as the 4th best album of the past 25 years. The album has sold 3 million copies.
Recorde-se que era o primeiro disco de sempre de K. West e que contou com convidados de luxo (Mos Def, Jay-Z, John Legend, Talib Kweli, Common, Jamie Foxx, entre outros). Composição, arranjos e produção, tudo nas mãos do rookie.
*Pelo seu impacto na música-norte americana, não seria de estranhar que este disco fosse aqui apresentado na rubrica Capas.
...dos Urban Species? Provavelmente não. Mas se ouvir a lindíssima Spiritual Love, provavelmente já lhe dirá algo. Listen (1994) é o primeiro dos dois discos da história dos Urban Species e onde esse inolvidável registo aparece. Mas a qualidade não fica por aí: espante-se com Hide and Seek, Musikism, Listen, The Consequence, The Experience e Brother. Uma obra-prima. Desaparecidos desde 1999. Que é feito? Voltem...
nota: Como a Spiritual Love é uma música que tem que ser ouvida em estado puro, deixo aqui a versão original da música e um clip ao vivo com a interpretação da mesma.
It's like two hearts, two minds, two bodies, two souls Making one whole, now it's gotta be told That what we have is more than just physical Don't be so cynical, we got a spiritual love...