domingo, 31 de agosto de 2008

rap nuestro hermano (I) - Frank T




Regressado de Espanha, mais concretamente de Barcelona, trouxe na mala alguns cds interessantes. Algumas coisas que conhecia, outras nem tanto.
Fundamentalmente trouxe rap e jazz. O primeiro espanhol, o segundo americano (grandes pechinchas!). Curiosamente, a habitación em que fiquei era partilhada por um galego (saludos, Xosé!) residente em barcelona que era fotógrafo profissional e que, entre outros trabalhos, já tinha fotografado tours e concertos de alguns rappers espanhóis. Quem aprecia Dealema, o colectivo de Nova Gaia, certamente já terá ouvido tapes do grupo com El Puto Coke. Pois é, o meu anfitreão era compincha desse mesmo rapper.
Para quem desconhece o panorama do hip hop espanhol, há que lançar um primeiro aviso: tem coisas muuuito boas! É o caso de La Excepción, Porta, Mucho Muchacho (catalão), El Payo Malo e, porventura os dois mais emblemáticos, o grupo Violadores del Verso (aka Double V) e o rapper Frank T.
Escolhi primeiramente Frank T porque trouxe comigo o triplo cd intitulado Frank T - Discografía básica que inclui os seus três primeiros discos de originais: Los pájaros no pueden vivir en el agua porque no son peces (1998) (que metáfora infinita, esta), Frankattack (1999) e 90 Kilos (2001). Tudo por... 13 euros! Eheh... o El Corte Inglés tem destas coisas!
São três disco fantásticos que foram a minha banda sonora nos dias que lá tive enquanto fazia a lida da casa. Frank T consegue fazer 3 discos no período de 4 anos com uma qualidade e, friso esta, regularidade, espantosa. Não é coisa fácil! Pensem só no primeiro album de Boss AC (formidável!) e depois pensem nos seguintes. Foi uma "descida pela ribanceira abaixo", como se diz na minha terra...
Frank T consegue essa regularidade com uma ementa muito simples e, ao mesmo tempo, difícil: grandes beats e grandes letras. Como parece fácil! São beats muito underground, com batidas poderosas e assertivas. A melodia, especialmente em Los pájaros no pueden vivir en el agua porque no son peces (1998), é escura, grave. A partir deste disco, nota-se uma evolução quer na secção rítima, quer na sonoridade. Na primeira, o beat torna-se multifacetado, alternando as batidas vigorosas com percussões mais ecléticas e mexidas. Menos monótonas, também. Quanto à atmosfera melódica, crescem os samples multifacetados, entre a salsa, o jazz, hip hop, o rnb, trip hop e até o chill out. Também as participações vocais consubstanciam essa evolução musical - são muitos os convidados com contributos esteticamente diversos. 90 Kilos (2001) condensa toda essa caminhada musical.
E o liricismo? Bem, ao ouvirmos Frank T, percebemos que não estamos a ouvir um qualquer jovem que se lembrou de pegar no mic. Não sei ao certo quantos anos terá Frank T e, embora não querendo fazer da idade um atestado de coisa alguma, a verdade é que as suas letras, além da forte consciência ética, cívica, política e social, emanam uma supreendente maturidade e serenidade. Assim de repente, só me lembro de Guru (com os Gangstarr ou a solo) como exemplo do que tento transmitir de Frank T. É um discurso lírico menos próximo do ouvinte, como que (muito) mais pessoal e resguardado. E sapiente.
Infelizmente, os clips de Frank T deste período são pouquíssimos - dois, para ser mais preciso. Por isso mesmo, preferi trazer aqui um (excelente) clip de uma excelente música do seu último cd: Sonrían por favor (2006). Chama-se Optimista y Soñador, da qual aliás já tinha mostrado o meu apreço noutras paragens.

Frank T - Optimista y Soñador



Frank T website

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

de passagem

Satisfeito. Emoções mil. Em paz. Alegre. Regresso. Partida. Novidade. Vida.

Sérgio Godinho - Primeiro dia

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

a rua fecha para férias

Para quem as férias são um autêntico ressuscitar depois de um ano estafante, fica aqui a minha despedida pois vou gozar um generoso tempo longe de blogs e afins. Trata-se da música Ressurection (album Ressurection, 1994), da autoria do na altura ainda Common Sense, hoje apenas Common, nome que dispensa apresentações. É o jazz-rap americano da década de 90 no seu melhor estilo: beat boom-bap clássico, scratch, baixos roubados ao soul e pianadas jazzy sampladas.
Desejo umas boas férias a todos... e com muita música nos ouvidos!

Common - Ressurection (o clip é lindo)

Rocky Marsiano


Estive para fazer uma apreciação pessoal deste espantoso talento. Todavia, quando me abeirei do seu MySpace, achei que o que lá estava escrito condensava as minhas ideias.

O jazz é, por eleição, o território do improviso e da jam session, das pulsões do momento e da comunicação telepática entre músicos. The Pyramid Sessions, por outro lado, é resultado directo de noites solitárias num estúdio que D-Mars conhece como a palma da sua mão, situado num edifício que deve o seu nome às mais famosas construções do Antigo Egipto. Visto sob esse prisma, este álbum reflecte uma das paixões musicais de D-Mars, filtrada pela sua filiação estética nos campos do Hip Hop. Mas é igualmente fruto de uma visão generosa da música, de uma imaginação fértil que colocada em prática no espaço do estúdio permite conjurar encontros inimagináveis entre solistas de outros tempos, fixados em vinil, e a panóplia electrónica que o estúdio coloca à sua disposição, entre o espaço virtual da MPC e a respiração natural de músicos como Rodrigo Amado (saxofone), NelAssassin (gira-discos), D_Fine (voz) e T-One (guitarrista que é igualmente líder dos funkers Mr. Lizard). Assim, The Pyramid Sessions não reflecte apenas o papel de D-Mars como produtor, mas afirma-o igualmente como orquestrador, compositor e catalizador de talentos com origem diversa. Além, claro, de manipulador sério da mesa de mistura e das potencialidades do estúdio, pois este álbum foi inteiramente gravado e misturado pelo próprio D-Mars.

Nos 14 temas de The Pyramid Sessions D-Mars explora a sua ideia pessoal de jazz, conciliando pianos, guitarras, sopros e vibrafones, breaks de bateria e cortes de scratch com a maturidade de quem aprendeu a olhar para a música através dos generosamente amplos olhos do Hip Hop. Porque além de todos os classificativos apontados no parágrafro anterior, D-Mars é igualmente um crate digger convicto, explorador dos mais diversos locais onde o vinil ganha pó e resiste à história. Por isso, The Pyramid Sessions pode ser lido também como uma homenagem a todo um género, como um tributo à nobre linhagem que se estende de Louis Armstrong a Herbie Hancock, de Charlie Parker a Lou Donaldson e de Dizzy Gillespie a todos os outros grandes gigantes da história do jazz. Uma história que D-Mars foi descobrindo de uma forma pessoal, não com a linearidade académica sugerida em estudos sobre o género, mas com o carácter imprevisível e aleatório de quem aborda a música ao sabor das descobertas em lojas onde os discos procuram novos donos.


O album The Pyramid Sessions (2005) é um hino à boa música. É tudo o que posso dizer.

Rocky Marsiano live @ Interparla 2008 (Madrid) - Dois homens nos pratos (RM é o da direita) um sax e um guitarrista... bingo! O sample usado é de Common e da sua música/hino/monumento do hip hop mundial, I used to love H.E.R.



Rocky Marsiano MySpace

(um) Ideal

Sam the Kid é dos artistas de música portuguesa que mais aprecio e admiro. Sempre que partilho esta ideia com algum amigo, é grande o espanto por gostar tanto de um rapper como gosto de Jorge Palma ou Sérgio Godinho. E isso, a meu vêr, só revela desconhecimento profundo no terreno.
Não me vou alongar muito sobre Sam the Kid pois a sua discografia, os seus concertos, os prestigiados convites lá de fora e as inúmeras colaborações com grandes artistas portugueses (caso de Carlos do Carmo, por exemplo) falam por si. Digo mesmo que não saber hoje o que é a música de Samuel Mira, é uma carência para todos os aficionados da boa música portuguesa. É que são tantos mas tantos os elogios dos mais variados quadrantes à arte de Sam que é só por manifesto preconceito que se pode desconhecer quem é e o que faz (o que é diferente de gostar, atenção). Falo em preconceito porque ainda hoje a fobia e a estereotipização que é feita à volta do Hip Hop é grande. É não perceber que se trata de uma arte multifacetada, de uma cultura própria que vai beber influências a muitas outras (pintura, dança, roupa, música, poesia) e que não deve ser menosprezada. Pelo menos enquanto não se tem opinião devidamente formada sobre o assunto.

Deixo aqui O Ideal, beat (já antigo) do oldschool Nel Assassin (um dos masters portugueses nos pratos) acompanhado pelo liricismo de Sam the Kid. Deixo também duas versões da música: a original, onde aparece o rapper Sagas no refrão; e uma mais recente, feita especialmente para a MTV. Nesta, o beat misturado por Cruzfade pertence aos míticos Souls Of Michief. Trata-se da faixa 93 'til Infinity, uma das melhores do seu disco de estreia (e uma das faixas mais emblemáticas do Hip Hop americano) com o mesmo nome datado de 1993.

Encontram a letra aqui.

Acordar e ver o sol no céu,
Selvagem é a imagem que eu tenho do meu
Cenário diário porque o elogio é prioritário
Mas tudo o que eu quero e chega é só o que é
necessário
Amar quem me ama, parentes e dama é o topo
E eu não poupo eu dou, por tudo e fico com pouco
No meu corpo saúde é o essencial
Sensivel a um decibel no silêncio total
Na criação eu preciso de tar só
Necessito da sensação dum sorriso da minha avó
Ter guita suficiente pa ser independente
Procurar o melhor, saír do praticamente
Ser feliz, na raiz, onde tudo começa
Ter cabeça na diferença, estar a par do que interessa
Manter os pés na terra, mãos à obra,
Olhos em movimento, atentos a qualquer manobra

Progressão ou não na escala numerosa
Ter profissão em função duma relação amorosa, hiphop!
É respira-lo é inspirar quem o faz
É transpira-lo e transporta-lo aonde quer que ele
viaje,
Sempre..! faço a promessa, cumpro e meço o compromisso
Business, aparece sem excesso de intrujisse
O ideal? é ser vivo, é ser livre, ser naif,
Só no meu livro, verídico, e dar o litro
Em formato impreciso, sabes que isso é de obriga
Não falecer sem fazer crescer uma barriga
Na altura ideal com moral e condições, (boy)
É admitir defeitos, controlar emoções
Valorizar actos sentidos, sem todos sabermos
Segredos, sem truques, sem tiques


O ideal? É no amor ser discreto, é respeitar o aspecto
É partilhar um afecto com alguém restrito






Sam the Kid MySpace

Aditamento (NBC)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Natural Black Colour


NBC é um artista português que desde a década de 90 tem agitado o círculo hip hop da margem sul. Juntamente com o irmão (o rapper Black Mastah) formou os Filhos de 1 Deus Menor, que fez furor no mítico Oeiras Rap 94, marco histórico na afirmação da cultura hip hop no nosso país.
Desde então, NBC tem entrado em colectâneas com muitos rappers, lancou um disco de originais (Afrodisiaco, 2003), deu muitos concertos, participou no disco de homenagem aos GNR (Bem-vindo ao Passado) e entrou no telefilme Fados de Carlos Saura.
Foi a meu ver uma carreira de altos e baixos que agora, merecidamente, vê um momento de afirmação claro: Maturidade (2008) é um album muito interessante e que foi alvo de uma cobertura mediática de assinalar. Trata-se de uma reunião musical eclética, fresca e onde NBC nos supreende com alguns dotes que não conhecíamos. Na onda do hip hop americano da década de 80 e 90 - e que agora tem vindo a ser renovado por nomes como Kero One, Crown City Rockers, Raashan Ahmad, DJ Tonk, Jazz Liberatorz, Q-Tip ou Y Society só para citar alguns - NBC, com um background de produção a cargo de New Max (Expensive Soul), DJ Link, Bomberjack e Sam the Kid, promove uma alegre fusão de hip hop, soul e funk. Evidente que isto não agrada a gregos e troianos. Muita gente hiphopaholic que conheço já se manifestou desagradada com o suposto desvio de NBC às suas raízes. Evidente também que isto só pode ser pensado quando os nossos horizontes intelectuais estão carinhosamente fechados. Só assim se explica o menosprezo que se pode ter por um artista que procurar inovar, diversificar, supreender. O que NBC faz com um sucesso assinalável. Porque com qualidade.
Maturidade começa com Partida: é um "bem-vindo a bordo" que nos põe alerta para o que vamos ter pela frente. É também o primeiro momento em que NBC debita liricismo com igual rapidez e inteligência e onde faz algumas alusões a factos passados, "Pela Arte foi o começo". Pela Arte é um dos melhores beats do já mencionado Afrodisíaco e das melhores coisas que podemos escutar no almanaque do hip hop português.
Encontramos a seguir Segunda Pele, primeiro single do album e que tem tocado numerosas vezes na Antena 3. A letra é uma declaração de amor à Música, uma declaração transversal às suas vivências mais antigas e com referência a grandes nomes do Hip Hop americano (o produtor Solar e Common em "No comboio, os amigos, esses, só falam em bola, enquanto eu vou ouvindo Can I borrow a dollar?"). Mas as menções não se ficam por aí: ouvimos também os nomes de Bob Marley ou Marvin Gaye.
Imagina (parte 1) é das minhas faixas preferidas. O beat é muito bom e a electrónica que o acompanha torna-o em algo enigmático, esotérico: "Fizeste tudo errado... e agora quem vai pagar?". Aqui é clara a crítica político-social, embora NBC não se deixe prender a clichés ou lugares comuns. Pelo contrário, o seu discurso preza por uma poesia que oscila entre o realismo e a fantasia, captando astutamente certas imagens que nos ficam na cabeça. Na parte final, NBC entrega-se a um meloso e melancólico solo onde a palavra Revolução assume contornos doces, longe das armas ou do sangue.
E chegamos a NBCioso, outras das faixas mais bem conseguidas do album. Um instrumental orgânico leva-nos para sons mais funky, puxando o pé de dança. As trompetes tornam-se aqui o pêndulo sob o qual NBC nos delicia.
A música que dá nome ao album, é outra agradável surpresa. Continua a instrumentalização longe das caixas de samples e NBC a entrecortar o rap com solos deliciosos. O artista divaga um pouco sobre o homem, as suas responsabilidades, compromissos, ambições, decisões. "Se és homem... prova que és capaz e a paz entra no teu ser...".
Saltamos agora para Homem, outro momento alto do disco. Aqui a tonalidade espraia-se sem medos pelo jazz e soul. Bateria pausada, baixo provocante e guitarradas agudas aqui e ali... Estamos assim até aos 3.30 min quando NBC como que se senta e passa pura e simplesmente a recitar poesia:
"Os homens nascem todos iguais mas todos diferentes
Com valores culturais que pesam nas mentes de homens descrentes
Homem...
Um conceito ou uma definição globalizante?
Homem sem acção é rato; homem sem valores é cão sem dono.
É preciso personificar, atribuir valores
porque o homem não conhece o seu lugar.
Animais em vias de extinção, mantidos em cativeiro...
E ainda somos 6 biliões! Nunca vai parar...
Mentes de rumo incerto procuram a sua casa no ar, na lua
porque a Terra, na Terra, é a salvação... agora".

Voltamos ao rap mais clássico com Heróis (1974). Ao contrário do que poderia parecer à primeira vista, a letra nem é tanto apontada à Revolução dos Cravos propriamente dita, mas antes à juventude, à sua educação e empenho como meio de intervir no futuro. No final ainda ouvimos algumas palavras de carinho para a Família enquanto valor.
O soul regressa por mão de Voice Mail, outro registo um tanto glicodoce onde é de destacar a participação de Dino, um dos talentos emergente da cena rnb portuguesa.
A toada mantém-se em Dá-me uma mão (notas) onde surge Lince a acompanhar. Outro grande som... começo a repetir-me e por isso mais vale mesmo ouvir. A partir do minuto 2, Lince e NBC comecam a rappar em grande estilo, "Liga o telefone, dá-me um halla, a gente fala, fazemos um jantar moçambicano na tua sala", voltando depois ao registo pausado.
MC Frustrado era uma faixa desnecessária neste belo disco, a meu vêr. Isto poderá parecer leviano da minha parte, claro. Mas digo-o porque depois de escutarmos coisas tão boas, é despropositado levarmos com aquelas vexata quaestio da comunidade hip hop: o mc verdadeiro, real, puro/o mc falso, fake. Embora no discurso NBC paute sempre pela forma elaborada e inteligente das palavras escolhidas. Mas enfim, era dispensável...
Mas tudo está bem quando acaba bem! E assim o disco termina com Voz. Outro som onde a electrónica cruza os samples de forma harmoniosa (aposto que a produção aqui é do Sam!) e a voz de NBC vem ao de cima mais uma vez.

Maturidade é uma das agradáveis supresas musicais deste ano. Dá-nos a conhecer um NBC versátil e erudito que faz da sua muito própria poesia o seu ponto forte. Evidente que ter por trás produtors como New Max, Bomberjack ou Sam the Kid dá uma ajudinha. Fundamentalmente, é um disco muito aprazível para apreciadores de soul, funk e hip hop, deixando no ar a expectativa do que NBC poderá fazer (ainda mais) no futuro.
Que a maturidade de NBC seja como a sua música: que não estanque!

NBC - Homem (ao vivo na FNAC Colombo)



NBC MySpace

quarta-feira, 30 de julho de 2008

vous en souvenez encore? (à atenção de uma leitora)

Depois de uma breve estadia em Alfama, e inspirado pelos seus ares, trago aqui Sempre de mim, faixa 3 do último disco com o mesmo nome de Camané. É a minha música de eleição do sétimo cd (lançado este ano) de um artista que dispensa apresentações.
Aqui fica o clip:

Camané - Sempre de mim (ao vivo no Coliseu dos Recreios)

segunda-feira, 21 de julho de 2008

sunny

Agora que vou de férias por uma semanita, deixo aqui um grande som com um clip que puxa para o sol e para o calor. E para o love, claro...

Pete Rock & CL Smooth - I Got a Love

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Festival Músicas do Mundo


Começou ontem em Sines o Festival Músicas do Mundo (até dia 26 Julho). No seu 10º aniversário, o festival traz mais uma vez uma enorme diversidade de música, cultura, vida! Do cartaz, o meu destaque vai inteirinho para os Last Poets, que actuam dia 19, sábado. Os Last Poets, a par de Afrika Bambaata e outros, são os pais, padrinhos, avôs e todos outros graus de parantesco familiar superior que quisermos do Hip Hop.
Apareceram pela primeira vez na década de 60 ao lado do movimento negro pela igualdade de direitos civis. Recorde-se nesse sentido os Black Panthers, movimento cujo um dos líderes era a mãe da lenda rap Tupac Shakur, ele próprio também um militante. Curiosamente, o grupo formou-se no dia 19 Maio de 1968, precisamente o dia em que nasceu Malcom X. O nome Last Poets provém de um poema de Keorapetse Kgositsile, um poeta e activista político sul-africano que falava do fim da era da poesia e do início de uma nova onde as armas imperariam. Cabe-me a mim recusar hoje terminantemente este prognóstico: as armas não venceram, por mais que continuem a espreitar. A poesia terá sempre o seu lugar e terá sempre quem lute por ela. Eu serei um deles!
O primeiro disco dos Last Poets remonta a 1970 e tem o mesmo nome do grupo. Trata-se de pura poesia revolucionária carregada de sátira, sem qualquer suporte melódico, à excepção da percurssão (muitos jambés) e das vozes e urros por detrás de quem recita. Chega a ser um verdadeiro transe onde ritmo e poesia se degladiam quase que selvaticamente, criando uma atmosfera grotesca, animal. Mas o que é então Ritmo e Poesia? Nada mais nada menos que Rythm And Poetry... isso mesmo: RAP.
Os Last Poets contam com um extenso rol discográfico, datando o último album de 2004: Science Friction.
O seu reconhecimento no mundo hip hop é unânime: eles constituem as verdadeiras roots do movimento.
Com muita pena minha, não poderei ouvir estes (já) velhotes, dado que as economias exigem poucas deslocações e, por outro lado, nesse dia irei ouvir Macy Gray, de quem já falei por aqui.

Fica aqui Niggers are scared of Revolution. Esta música é particularmente interessante porque percebemos que a mensagem passada nem é tanto de crítica para a sociedade, para o Estado; antes mais para a própria comunidade negra, acusando-a ironica e satiricamente da preguiça, da inércia, do desinteresse pelas verdadeiras causas que lhes são úteis. Não me recordo agora do nome, mas sei de uma música do rapper português NBC que também grita algo deste género.
Passados quase 40 anos desde 1970, a mensagem do primeiro disco dos Last Poets continua a fazer sentido.
Em Sines, o Hip Hop vai renascer!

A letra está aqui.



Festival Músicas do Mundo

quinta-feira, 17 de julho de 2008

wonderboy


DJ Ride vai estar amanhã no Porto, no Plano B e dia 26 no Armazém do Chá. Ride é um verdadeiro prodígio do scratch: bi-campeão nacional pelo ITF e terceiro lugar no campeonato mundial da IDA.
Turntable Food (2007) é o nome do seu primeiro album. Lembro-me que o comprei como prenda de natal para o meu irmão, esperançado em que este lhe criasse o bichinho do improviso. Ainda aguardo resultados...
Com apenas 22 anos, Ride faz música de gente adulta. Pasmem-se:



DJ Ride MySpace

Haverá algo mais disco que isto?

Will Smith - Gettin' jiggy with

Monica


Monica é uma norte-americana que na década de 90 deu que falar com grandes baladas onde o chamado R&B era R&B - rythm and blues. Melodia entre o pop e o soul e uma variada instrumentação (onde se destacam os laivos de saxofone ou o orgão), acompanhada de uma voz atraente, fizeram de Monica uma artista interessante. Todavia, a verdade é que, na minha opinião, os albuns de Monica são capazes do melhor e do pior. Entre Miss Thang (1995) e The Boy is mine (1998) o melhor é sem dúvida o primeiro. Como músicas preferidas aponto Before you walk out of my life, Get down e Like This and Like That. Esta última especialmente fez grande furor à época. É o R&B na sua essência, para mim. E não aquilo a que hoje "artistas" de 3a ou 4a categoria chamam para conseguirem alojar a sua foleirada num qualquer sub-género musical.
Em The Boy is mine, gosto de Gone be fine. O resto é uma enorme desilusão.

Monica - Like This and Like That featuring Mr. Malik

terça-feira, 15 de julho de 2008

Soweto Kinch


Soweto Kinch é um jovem inglês de 30 anos que vem já há algum tempo a deixar a sua marca no jazz. Saxofonista de eleição (também tocando piano), forma com o baixo Michael Olatuja e o percurssionista Troy Miller os Soweto Kinch Trio, embora por vezes, nos espectáculos ao vivo, a banda convide outros músicos.
Este licenciado em História Moderna por Oxford, tem dado muito que falar com concertos em grandes festivais europeus de jazz, casos do Royal Festival Hall, Cheltenham International Jazz Festival ou Montreux Jazz Festival.
No baú discográfico encontramos dois albums: Conversations with the Unseen (2003) e A Life In The Day Of B19 - Tales Of The Tower Block (2006), dos quais apenas o primeiro conheço a fundo. Desse lembro as faixas Doxology, Elision, Equiano's Tears, Mungo's adventure, Good Nyooz e Intermission - Split Decision. Nestas duas últimas, Soweto Kinch revela ainda bons dotes na arte do rap e do beatbox. É aliás uma constante dos concertos de Soweto Kinch, quando este pousa o sax, agarra-se ao mic e comeca a palavrear...
Em Portugal, creio que Soweto ainda é um desconhecido: não há registo de concertos e os seus albuns, pelo menos em grandes superfícies como a FNAC, pura e simplesmente não existem.
Esperemos que a situação se inverta em breve!

O clip abaixo aborda as performances em palco e um pouco da forma como Soweto Kinch e os seus músicos encaram o jazz:



Soweto Kinch MySpace

domingo, 13 de julho de 2008

Macy Gray

Realiza-se este ano pela primeira vez o Festival Marés Vivas, em Vila Nova de Gaia durante os dias 17, 18 e 19 de Julho.
19 de Julho é o dia que me interessa, dia em que subirá ao palco a americana Macy Gray.
Desde o album On How Life Is (1999) que Macy Gray empresta a sua muito sedutora rouquidão ora a grandes baladas, ora a batidas mais mexidas a pedir um pé de dança. Em termos musicais, eu diria que Macy Gray é uma enorme mescla de pop, R&B, hip hop e soul. Sempre numa toada dance music. Quando em 1999 lancou o referido album, rapidamente entrou para os tops com o single de estreia que juntou muitos pombinhos pelo mundo fora. I Try é daquelas músicas que já ouvi vezes sem conta e não deixo de gostar. Também Still se tornou um êxito enorme. Além destes dois hits, o album conta ainda com outras faixas interessantes: Sex-O-Matic Venus Freak, Why didn't you call me, I can't wait to meetchu, A moment to myself e Do Something.
Apesar de ser sem dúvida o seu album mais aclamado, Macy Gray conta ainda com mais quatro discos de originais: The ID (2001) onde encontramos a famosa Sweet Baby (com Erykah Badu) e a divertida Sexual Revolution; The Trouble with being myself (2003); um best of (2004); e Big (2007) que ainda não tive oportunidade de ouvir.
Certo é que dia 19 estarei por Gaia a ouvir esta senhora, sobretudo para recordar os grandes clássicos. E algo me diz que deve dar belos concertos!

Macy Gray - I Try (o video não é nada de especial mas vale pela música que tantos corações aqueceu)



Festival Marés Vivas