O SS tem o incomensurável prazer de anunciar que DJ PREMIER (27 Outubro), GURU (3 Novembro), AFRIKA BAMBAATA (17 NOVEMBRO) e DE LA SOUL (1 DEZEMBRO) vão actuar no espaço Arena Lounge do Casino de Lisboa.
Madeleine Peyroux é uma georgiana que cresceu entre os Estados Unidos e a Europa, mais precisamente em Paris. Foi nesta última que Madeleine começou a cantar nas ruas e a frequentar clubes de jazz, nos quais mais tarde começou ela própria a dar espectáculos. São muitos os que a apontam como percurssora da obra de Billie Holiday. Há nesse sentido uma expressão que eu acho muita piada (e que está na sua biografia oficial): os smoke-and-whiskey vocals comuns a Madeleine e a Billie. Madeleine não é uma artista de grandes holofotes (leia-se mediatismo). Disso mesmo dá conta o longo período temporal que medeia o lançamentos dos seus discos ou a discreta publicidade que é feita à sua volta. Talvez voluntariamente e devido, digo eu, a essa sua vivência nos seus primeiros anos como chanteur de rua. Da sua discografia conheço Dreamland (o seu primeiro disco, 1996) e Got You On My Mind (com William Galison, 2004). Neste mesmo ano (2004) lançou também o muito aclamado Careless Love, que ainda nã tive oportunidade de escutar. Há dois anos Half the Perfect World foi o último disco editado. Em ambos os discos que conheço predominam os blues, o jazz, o soul e o folk. Todavia, penso ser em Dreamland que a voz de Madeleine vem mais ao de cima, num tom tão doce quanto senhoril. A última passagem de Peyroux por terras lusitanas aconteceu em Julho passado, no Convento de Mafra, no âmbito do (tão rico) Cool Jazz Festival. Como me me suscitou curiosidade a vida itinerante de Madeleine como artista de rua, o clip abaixo dá-nos a conhecer uma jovem de 17 anos, em Paris, a cantar como gente grande. Ilumina-me ainda um pouco aquele imaginário da Paris intelectual, cultural, boémia... A música é Getting some fun out of life, presente em Dreamland. Música que é, originalmente, de Billie Holiday... coincidências :) Diga-se que a letra é um pueril hino ao carpe diem:
When we want to love, we love When we want to kiss, we kiss With a little petting, we're getting Some fun out of life
é um album de Charles Mingus gravado ao vivo em 1955 e que conta com o distinto convidado especial Max Roach na bateria. Para quem não conhece a obra de Mingus, como é o meu caso, apenas me ocorre dizer que este é um magnífico abum de Jazz. Jazz, jazz e jazz. Esse baú monumental que dá pelo nome de Youtube não dispõe do concerto no qual o album foi gravado, pelo que o clip que aqui fica data da altura mais próxima que encontrei de 1955 e também o que mais me agradou... apesar da sua curta duração.
Um palco e três amigos. Três amigos que por acaso também são três dos melhores rappers de sempre. KRS-One, um dos discípulos de Afrika Bambaataa (Pai do Hip-Hop); Q-Tip, membro do lendário grupo A Tribe Called Quest (Can I kick it? Yesss you can!!); e Common, poeta por excelência com uma discografia que fala por si (desde 1992) e autor de I used to love H.E.R., declaração profunda de amor ao Hip Hop e número 1 em alguns tops do melhor rap de sempre (como este). Word up!
Por vezes a nostalgia funciona assim mesmo: de repente, sem preparação, sem sequer termos pensado no assunto, começamos a ser levados para um certo espaço, para um certo tempo, para um certo ambiente ou sentimento... Hoje isso aconteceu-me quando dei por mim a rever os clips já vistos tantas e tantas vezes de Tupac Shakur. E então dei conta de como era estranho para mim, nos dias que correm, escrever sobre música de que gosto e nunca ter deixado nada sobre um rapper único. Genuinamente único, para o bem e para o mal. Com todos os seus virtudes e defeitos, Tupac foi um Homem, um ícone da minha adolescência. A minha relação com Shakur foi um pouco como a que tive com outros heróis de infância, especialmente os políticos: numa primeira fase o deslumbramento e rendição total; numa fase seguinte a descoberta de que nem tudo eram rosas, a primeira recusa de tais espinhos e a triste resignação perante os factos; a terceira fase, porventura a mais rica (mas também a mais racional), a admiração consciente e ponderada por alguém que, como qualquer um, fez coisas que apreciamos e outras que nem tanto. Talvez um dia aqui escreva de forma mais aprofundada sobre Tupac. Neste momento apenas me apetece corresponder a essa imediatividade nostálgica. Por isso aqui deixo alguns clips de um rapper, actor, poeta, activista. De um Homem, portanto. Ora e como agora me apetece ser altamente parcial em relação a Tupac, vou colocar os clips com as letras que eu aprecio, com os pensamentos que me seduzem, com as imagens que me entusiasmam, com a consciência que me surpreende.
*The concept of "Thug Life" was viewed by Shakur as a philosophy for life. He developed the word into a backronym standing for "The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody". He declared that the dictionary definition of a "thug" as being a rogue or criminal was not how he used the term, but rather he meant someone who came from oppressive or squalid background and little opportunity but still made a life for himself and was proud.
Começei a ouvir Change the channel (2008) hoje, domingo. Ora o que se pode dizer deste disco é que é um excelente disco de domingo. Com isto quero pois dizer que se num domingo decidirmos ficar por casa na preguiça, entre livros, filmes e música, então quanto à última Change the channel é um óptimo album para pôr a tocar. O album é todo ele em registo instrumental, composto por beats do melhor hip hop que se faz, alternando as linhas musicais das mpc com uma instrumentalização orgânica onde invariavelmente o jazz, o trip hop e o chill out surgem sem complexos. São muitos os vocals samplados, especialmente aqueles a que estamos acostumados a ouvir na televisão americana, seja de filmes, publicidade ou concursos. Daí a alusão do título do album ao zapping. Cada faixa é muito curtinha, normalmente de 1 ou 2 minutos, o que muitas vezes sabe a pouco... Encontrei algures uma suis generis tvguide do album, não sei se oficial. Mas cá fica:
tv guide 01. adjust your signal (intro) 02. zap I (post-intro) 03. viewer warning (post-post-intro) 04. zap II (interlude)
24h-breaking-news channel 09. news flash 10. first contact televised
11. zap III (interlude)
fashion channel 12. cat walk strut 13. glitter & glamour
the dating channel 14. introducing the bachelerettes 15. the flirt game 16. ménage à trois
the oldies channel 17. dramarama 18. blaxploited
the spiritual channel 19. god's day off 20. journey to self
21. zap IV (interlude)
scary movie channel 22. welcome to the paranormal 23. the haunted 24. ghost spell
25. zap V (interlude)
xxx - all nite 26. kiss-n-tell 27. jammy aerobic / pimp training 28. adult phone entertainment
29. switching off (couch potato meditation)
Infelizmente, não encontrei nenhum clip de PADMO' de boa qualidade. O que aqui deixo é mesmo o único que o youtube tem. Agradecia se alguém me pudesse explicar como deixar no blog apenas uma música para ouvir. :) Para terminar, dizer que PADMO' é membro dos 40 Winks, duo de produtores belgas da cena hip hop.
Um dos writers que vai estar a pintar é do Porto, chama-se Blast e esteve hoje a pintar na minha faculdade, a FDUP. Podem vêr algumas coisas dele no seu myspace.
Nota pessoal: A ideia da battle entre mpc's é muito boa; mas enfim, com tanto por onde escolher, e à excepção da novidade que constitui Dama Bete, que cartaz tão pobrezinho...
Questionado sobre FMI, José Mário Branco, vulto inegável da música portuguesa contemporânea, disse, entre outras coisas, que tinha sido "o primeiro rap português". Tendo em conta que o improviso decorreu por altura de 1974 e editado em 1981; tendo em conta a expressividade, a mensagem, o desabafo, a sensibilidade, a poesia (ora metafórica, ora realista), o ritmo (liricismo recitado por cima de um dedilhado de guitarra), a afirmação não é, de forma alguma, néscia. Quanto a FMI propriamente dita, remeto-me ao silêncio porque o homem e a música falam por si. Arrisco-me apenas a atribuir-lhe um (não original) sentido: intemporal. Para os mais atentos, FMI lembrará os Last Poets, por aqui já conhecidos.
Marc Mac (MM) é um produtor inglês que que faz parte dos 4hero, dupla da cena electrónica britânica que tem colaborado com nomes como Jill Scott ou Ursula Rucker. A solo, MM tem desenvolvido projectos onde o soul, o jazz e o hip hop se entrelaçam de forma quase que melosa, no melhor sentido possível. Exemplo disso é o album visioneers - dirtyoldhiphop (2006), onde MM recebeu as colaborações na produção de Brad Somatik e Luke Parkhouse e contou ainda com a voz de Voice e de Capitol A em duas faixas. Replay e Funk Box, respectivamente. O disco transpira qualidade, aliando os beats clássicos das caixas mpc com a instrumentalização melódica afecta aos timbres do jazz, do soul e do trip hop. O resultado final é um autêntico tranquilizante musical, com linhas suaves, electrónica esfumada, baixos sedutores como que suspensos no ar, teclas... bem, não saía daqui. De facto, MM usa e abusa da panóplia instrumental ao seu dispor. Nota particular ainda para Funk Box feat. Capitol A que, como o próprio nome indica, nos remete para o funk no melhor estilo, acompanhado do mc Capitol A falando um pouco sobre as raízes do hip hop. Outras coisas boas: Runnin', Ike's Mood I, The World is Yours, It's simple, Dirty Old Bossa Nova, Paul's Guitar Story, Rollin' for the ride, Hip know cypher. Replay feat. Voice (primeira faixa do disco) é no entanto a minha preferida: arrisco-me a dizer que é, musicalmente falando, perfeita. Confiram:
Marc Mac visioneers Replay feat. Voice (o clip sugere precisamente aquela ideia de "tranquilizante" que eu referi)
Jazz used to be radical, that’s why hip hop producers used to sample it and rappers rhymed on it. I want to put Jazz back in the hands of hip hoppers.
Sexual Healing recorded live in Indianapolis (1996) inclui alguns dos maiores êxitos do quase-homem, quase-mito Marvin Gaye: I heard it through the grapevine, Let's get it on, Inner City Blues, What's going on? ou Ain't nothing like the real thing. Tudo isto acompanhado por um coro devoto e absolutamente histérico. 2+2= 4 euros... :)
Marvin Gaye - Let's get in on live in Montreux 1980
A partir de hoje, o SS passará a contar com uma rubrica dedicada a improvisos. Que poderão ser quer vocais, quer instrumentais. Talvez os primeiros predominem, dada a minha paixão pelo rap. Assim sendo, inauguro a rubrica com um improviso a dois em forma de battle. Um duelo muito animado e suis generis porque entre dois irmãos: NBC (já aqui falado) e Black Mastah, dois rappers portugueses que em tempos formaram os míticos Filhos d'1 Deus Menor. Este clip é particularmente engraçado: dois irmãos a provocarem-se, com algumas privates pelo meio e muita diversão. Delicioso! Para rir e abanar a cabeça. :) Viva a spoken word! O desafio, a energia, a imaginação, a espontaneidade, a capacidade.
The Essence Of Charlie Parker (2006) é uma colecção de 50 êxitos do Bird do jazz americano. Nome intemporal no Jazz, Parker, saxofonista, embora de vivência curta, deixou um legado incomensurável, do qual um dos melhores exemplos a dar é que foi o homem que, juntamente com o trompetista Dizzy Gillespie (outro senhor incontornável) e outros, criou o chamado bebop, uma forma harmónica de juntar ritmo e melodia na composição e no improviso. Foi o recuerdo de Barcelona para o meu estimado pai. Não que ele não mereça sacríficios mais dispendiosos, mas a verdade é que esta caixinha de pandora musical me custou uns módicos... 7 euros (!).
O clip que aqui fica não é de grande qualidade visual, mas o som, que para aqui é o que verdadeiramente interessa, está impecável. A composição chama-se Dexterity e, ou me engano redondamente, ou o dinossauro John Coltrane tem uma música com o mesmo nome.