segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Emancipation



Falar de Prince é, por natureza, difícil. Corre-se sempre (sempre) o risco de deixar uma série de coisas por dizer, pormenores por apontar, peculiaridades por frisar. Por isso mesmo, não me vou alongar muito. Prince é das melhores coisas que eu conheço na Música. Porque a Música transpira nele todas as suas idiossincracias: a beleza, a excentricidade, a surpresa, a cor, o estado de espírito, o movimento, a luz, a soul, a reflexão,... Justamente por isso, é Prince um dos pilares a partir do qual se desenvolveu uma grande parte da boa música norte-americana dos 80' e 90's.

Falar sobre os discos de Prince é igualmente difícil. Por um lado, porque dos que conheço (e são muitos) não há um de que não goste, logo torna-se difícil ser rigoroso e criterioso; por outro lado, porque, mais do que gostar, considero-os a todos, obras primas. Não necessariamente por cada um ser o melhor disco do mundo, mas por todos serem, cada um à sua maneira, brilhante.
Em vez de palavras, sempre insuficientes para a virtuosidade que está em causa, vou pois deixar aqui o primeiro de muitos discos que por aqui passarão. De um artista único. Todos são, diram alguns. Não, não é verdade. Este é unicamente único.

Começo pela fim da década de 90, o que parecerá estranho porventura. Acontece que este é para mim um dos discos que, não sendo um best of, compilação, colectânea nem nada do género, faz, involuntariamente, uma súmula fabulosa da música de Prince desde o For You (1978). Falo pois de Emancipation (1996), disco de 3 volumes, que traz na capa o símbolo indecifrável celebrizado por Prince. Digo súmula porque nos deparamos com um fenómeno sonoro inclassificável: soul, funk, rnb, hip hop, rock, psicadélico, pop, country, techno/progressive. Para uma melhor identificação com o que tento dizer, ficam alguns registos que abarcam toda essa super-dimensão estética. São mesmo só alguns, porque das 36 faixas, eu adoro 34 ou 35...
Aliás, para fazer isto bem feito, era escrever sobre cada volume em separado. Mas neste momento o tempo não abunda.
Ladies and Gentleman:


Jam of the Year - Prince


Slave - Prince


New World - Prince


One Kiss At A Time - Prince


Right Back Here in My Arms - Prince


Somebodys Somebody - Prince


The Human Body - Prince


Emale - Prince


Face Down - Prince


Da, Da, Da - Prince

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Improvisos: Crown City Rockers

Mais que um improviso, esta é uma animada battle entre o percussionista e o vocalista (o mc Raashan Ahmad) da banda Crown City Rockers. Estes sim, grupo na linha dos Roots.
Este duelo é um verdadeiro espectáculo: o objectivo é nenhum dos dois tocar ou rappar fora do tempo, isto é, enquanto o outro não toca ou rappa. Confuso? Check it out:

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

a super banda e um não-super disco


A propósito das comparações com os Heiruspecs, aproveito para colocar a agulha no Rising Down (2008), dos (The) Roots. Dada ser a primeira vez que por aqui toca um disco da banda, vou alongar-me um pouco sobre a sua história.

Ponto prévio: os Roots são das minhas bandas preferidas. Por vários motivos. A começar pela singularidade: é uma banda que consegue estar em todos os estilos e não estar em nenhum. É imune a rótulos e estereótipos. Esta autonomia muito própria vem já desde o seu primeiro disco, Organix (1993). Situemo-nos na época: os Roots surgem como uma hip hop liveband, grande novidade à época. Estava-se no florescer da golden age do rap onde o sucesso chegava pelo formato que entretanto ganhou contornos de clássico: um dj e produtor (pratos e caixa de beats) e um mc; ou então apenas o mc-faz-tudo. Por aqui começa a tal singularidade dos Roots como liveband: um mestre de cerimónias portentoso (Black Thought, um dos meus rappers de eleição), o carismático produtor e drummer ?(Quest)Love, um baixista e um teclista. Mais tarde chegaria Malik B., outro mc. Nesse Organix, encontramos pequenas maravilhas como Good Music (in fact!), Grits, Leonard I-V, Pass the Popcorn, The Roots is Coming (intro) ou The Session. Este disco, não necessariamente por ser o primeiro, traduz o ecletismo e a impossibilidade de etiquetas muito definidas na música dos Roots. A envolvência oscila entre o soul, o jazz, o rock ("Pass the what?! Pass the Popcorn!!") e um ora doce, ora arranhado rap... O contrário seria difícil quando se tem um mc do calibre de Black Thought.
Bem, não é meu propósito fazer uma bio dos Roots, por isso vou directo ao Rising Down. Quanto aos outros discos, deles irei falar por aqui mais tarde ou mais cedo.

Ora depois de tantos elogios, vem a crítica. Não gosto de quase nada deste Rising Down. Do som em si. Deste disco, apenas me dá gozo escutar Criminal (com Saigon e Truck), Unwritten (com Mercedez Mar), Hidden track e Rising Up.
A música está monótona, escura, cansada. O superavit electrónico não trouxe nada de bom. Foi para mim uma enorme desilusão escutar um album tão soturno e sem imaginação.
Ou então talvez implique uma segunda atenção (custa-me ouvir um mau disco desta super banda...).

Rising Up



Get Busy

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Improvisos: Common

O improviso de hoje insere-se no espírito da arte da spoken word, arte da qual é indissociável o nome dos Last Poets, grupo que a partir da década de 70 deixou uma marca indelével no movimento negro dos civil rights, ao lado de tantos outros como Curtis Mayfield (much love) ou Marvin Gaye (much love!), só para citar alguns.

No microfone está Common, um dos artistas para quem o meu coração tem um sítio muito especial. Não sei bem o porquê de ainda não ter aqui tocado qualquer um dos seus belíssimos discos. Na verdade, chego mesmo à conclusão que são poucos os músicos de quem mais gosto que por aqui já tenha falado. Talvez seja um pouquinho de egoísmo em partilhá-los, não sei...

O registo de hoje passa-se no Def Poetry, programa apresentado pelo rapper Mos Def, outro nome maior da história do Hip Hop americano. A solo ou em conjunto (nos BlackStar com Talib Kweli), Mos Def é um peso pesado no uso da palavra. A qualidades dos seus albuns comprova isso mesmo. Se quiserem saborear um pouco, vejam o clips da "Respiration", "K.O.S (Determination)" ou ainda "Redefinition".
Não obstante este repertório, Mos Def é também apresentador do programa Def Poetry (dirigido por Russell Simmons), que passa no canal americano HBO. Em Def Poetry, músicos e amigos de Mos Def são convidados para pequenas sessões multifacetadas de poesia. O resultado é delicioso.
O link justifica-se apenas para que possíveis leitores de outras paragens não tenham a estranha sensação de dejavu.
Permitam-me: Silêncio, que se vai improvisar.

à atenção de uma leitora

Fica pois a Faith do George Michael tocada pelos Limp Bizkit. Freaaaky.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Capas: Faith (1987)



Icone da cultura pop contemporânea, George Michael é muito mais do que isso: é o responsável, a par de outros, por toda uma redefinição da música pop, soul e funk americana. Michael Jackson, Prince e... George Michael.
Este é um disco explosivo (o primeiro de GM): muito love, muito sexo e muito funk para explodir numa pista de dança. I love it!

na selva


A Tiger Dancing (2004) foi o disco que me deu a conhecer os americanos Heiruspecs.
As expectativas que tinha a seu respeito eram muito altas, dada a comparação que muitos fazem entre os Heiruspecs e os The Roots (big up!). Talvez por isso acabei por ficar desiludido com o que encontrei.
É certo que no que toca à formação, as semelhanças com os Roots são algumas: live band entre o hip hop, o rock e o indie. Mas depois a sonoridade está a anos-luz da banda de Black Thought e ?Love. A meu ver, é uma música bem mais infantil, ligeira, ingenuamente melódica. Lembrou-me, não os Roots, mas bandas como os Gym Class Heroes, por exemplo. Não que não os aprecie (os Gym); mas entre isso e os Roots vai uma distância incomensurável. A sonoridade nos Heiruspecs é um pouco adolescente: enquanto os ouço, vêm-me à memória, além dos Gym, os Limp Bizkit [nos tempos do Significant Other (1999) e do inolvidável Chocolate Starfish and the Hot Dog Flavored Water (2000)], embora num registo muitíssimo menos metalizado. Também enquanto ouço, sinto que a atmosfera algo adolescente de que falo é em grande parte devido à voz do vocalista, embora as letras sejam interessantes... Mas bem, vejam o clip e tirem as vossas conclusões.
Digamos que se os Roots são os Leões, entao os Heiruspecs serão os tais Tigres. E os Leões são sempre os reis da selva...

Heiruspecs - 5eves

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ainda sobre

Kalaf

A Vida na ponta dos dedos, do Nel Assassin, aqui fica um clip que afinal sempre existiu. Coincidência ou não, encontrei-o quando tentava encontrar a letra de Sr Alfaiate Parte 2, faixa em que Kalaf declama no seu estilo pujante e despido de qualquer artifício...
O baixo é belíssimo e o poema idem. Para ouvir esta música, atente-se nas palavras.

Discussões sobre o que é certo ou errado
deixamos para os que buscam respostas...
Partimos do princípio básico de que todos sabem de que lado se põe o sol...


sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Capas - The Miseducation Of Lauryn Hill (1998)



Pouco haverá a dizer: esta capa-retrato constitui um marco na música norte-americana das últimas duas décadas. Disco que viria a influenciar tão boa gente que hoje por aí canta e faz cantar.
Creio mesmo que, no que toca à neosoul americana, há um pré-TheMiseducationOfLauryn Hill e um pós-TheMiseducationOfLauryn Hill. E fico-me por aqui.
Magnífico.

still feeling Brooklyn


Vamos continuar pelas ruas de Brooklyn, desta feita para escutar os Youngblood Brass Band. Clássicos na formação (big band); inovadores na composição (jazz para dançar num espírito algo rockeiro); supreendentes qb (em alguns registos dos seus discos é possivel ouvir um mc a rappar e eles próprios se definem tendo o Hip Hop por influência); os Youngblood (formados em 1995) contam com 5 discos, dos quais conheço Better Recognize (1997), Unlearn (2000) e Center:Level:Roar (2003). O seu (muito próprio) jazz é por eles próprios descrito como riot jazz, o que traduz o ecletismo e energia na composição.
No seu MySpace, em "Sounds like...", encontramos isto: Public Enemy and Antibalas hooking up in Cuba to talk about improvised music, the weather in Bahia...and later swimming to New Orleans on principle. If KRS-One and Professor Longhair needed a backup band. Crazy, hein?
Foi a ouvir Unlearn que me lembrei de pesquisar por um concerto deste pessoal. Aqui fica um belo show em Brooklyn com uma música que se chama justamente... Brooklyn (Center:Level:Roar):

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

feeling Brooklyn


(rua de Brooklyn, New York, terra natal de Guru)

Para primeiro disco a tocar na rua em 2009, pensei ser minha obrigação dedicá-lo a quem deu nome a esta rua (leia-se blog). A quem, aliás, já tantos tributos emocionados foram aqui prestados (olha aqui, ali e acolá).
Gifted Unlimited Rhymes Universal: GURU. O artista, o rapper, o inovador, o activista, o poeta. Autor (a par com o produtor Solar) do disco... Street Scriptures (2007).

Aqui na calçada vamos entrar de mansinho... tudo muito chill.
Feel the music! (do album Jazzmatazz Volume 2: The New Reality, 1995)


(a qualidade de imagem é pobre. vale a música!)