sábado, 28 de fevereiro de 2009

"As" sessões


The K&D Sessions (1998) foi o primeiro disco de Peter Kruder e Richard Dorfmeister que tive oportunidade de ouvir e há bem pouco tempo.
Tal como o Blue Lines dos Massive Attack, esta é uma amálgama de muitas coisas: hip hop, drumnbass, breakbeat, chill out, jazz, trip hop, dub, ... Mas num registo diferente do da banda inglesa.
Não é talvez um album fácil de gostar quande se ouve pela primeira vez. Falo por mim, que só verdadeiramente o apreciei quando o ouvi várias vezes e em situações diferentes.
Este disco é, a meu ver, aquilo que se pode chamar genuinamente de um trabalho: uma actividade intensa de pesquisa, mistura e remistura, exploração, experimentação, cruzamento de ideias e inovação.
Não querendo com isto estar a desprezar o disco, a verdade é que é um bom disco para oferecer a alguém se não se souber muito bem o que ele aprecia. Porquê? Porque, na verdade, é um album capaz de agradar a gregos e troianos. E isto, para o caso concreto, nada tem de pejorativo, mas sim de elogioso. O que é difícil hoje em dia, quando agradar a muita gente é imediatamente ser rotulado de comercial, mainstream e por aí fora...
Se este disco agradar a muita gente de gostos distintos, isso só vai confirmar o que está na sua base: uma super-qualidade multifacetada.

Alex Reece - Jazz Master (K&D mix) (só música)


Count Basic - Gotta Jazz (K&D mix) (só música)


Count Basic - Speechless (K&D mix) (só música)


Bus Power Dust - Bomb the Bass (K&D mix) (só música)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

excepcionalmente,

faço uma chamada de atenção particular para o o som que toca no cantinho superior direito.
É o fado de Carlos do Carmo, a guitarra de Carlos Paredes e o dedo mágico no beat de Sam the Kid.

Seria necessário voltar a repicar esses discos, não é? Para poder avaliar bem coisas que talvez nos esquecessem e nos abrissem novos caminhos...
Novos caminhos, os caminhos mais actuais, novos caminhos, uma orientação nova.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Sociedade da Boa Música


O disco de hoje, Travel at Your Own Pace, foi o primeiro da dupla Y Society, constituida pelo dj e produtor Damu the Fudgemunk e pelo mc Insight.
A par de outros discos, como o The Nineties Sessions do Godfather Don, este é para mim um dos melhores da cena hip hop americana no ano de 2007.
Tal como o Nineties Sessions (de que falaremos um dia mais tarde), este é um album que nos faz viajar até ao hip hop dos beats de jazz e soul samplados tão caro aos anos 90. Nesse capítulo da produção, o mérito vai interinho para Damu, pela complexidade e doçura dos beats.
Por isso, ouvir este disco é um pouco recordar nomes como Common, A Tribe Called Quest, Digable Planets, The Pharcyde ou Pete Rock & CL Smooth. E aqui entra o papel do Insight, com um rap mesmo muito próximo do CL Smooth. Coisa boa, portanto.
Ficam alguns beats do disco e uma mix curtinha do Damu transversal a todas as faixas do disco. Aprecie-se a música e os skills!



Never off (On & On)


This Advice


Dizzy


How many of us?


Puzzles

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

DJ Glue no Plano B 27 Fev

DJ Glue, dj que acompanha os Da Weasel em concerto, vai tocar no Plano B dia 27 Fevereiro (sexta-feira). Da última vez que o ouvi - depois de um concerto do NBC, também no Plano B - fiquei espantado com o espectáculo dado nos pratos. Para quem quiser dançar e viajar entre 80's, hip hop, funk, pop e disco, a actuação de Glue é um certificado de garantia. Um verdadeiro espectáculo de técnica e selecção musical.

DJ Glue @ Creamfields

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sam the Musician

Há uns tempos, um amigo alertou-me para a reportagem Dicas no Vinil, que então andava a passar na RTP. Na altura não tive oportunidade de a ver e por isso fui procurá-la no youtube, não estando todavia na altura disponível. Agora que a encontrei, aqui a trago. Trata-se de uma extensa reportagem sobre e com Sam the Kid.
Para quem já vem a esta rua há algum tempo curtir um qualquer beat, decerto já se apercebeu que o Samuel é uma omnipresência espiritual.
É, para mim, um génio, um visionário. Um artista que consegue sempre supreender mais e mais a cada beat que produz ou a cada verso que escreve. Um artista de todos o tempos que no mesmo beat sampla Carlos Paredes, Amália Rodrigues, Busta Rhymes ou Wu-Tang Clan e em que o resultado é invariavalmente espectacular. Não é pois por acaso que nos últimos anos - especialmente depois do Beats Vol. 1 (2002), disco aliás já aqui tocado - tem atraido públicos além-hiphop. A mero título exemplificativo, veja-se recentemente o seu beat (nada mais nada menos que Playback) no disco de tributo a Carlos Paião, onde figuram artistas como Rui Veloso, Tiago Bettencourt, Balla, Mesa ou Loto.
A reportagem conta com as participações de José Mariño (Antena 3) e de outros músicos que com Sam trabalham, casos de NBC, Kalaf, Bob da Rage Sense e outros.
Your attention, please:









terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

distracções


Creio não estar a dizer nenhuma asneira se afirmar que uma das (infinitas) virtuosidades da Música é distrair o ouvinte. Para o bem ou para o mal, despertando-nos um sorriso cheio ou absorvendo-nos em pensamentos mais depressivos, a Música tem esse poder: distrair, transportar, remeter para.
Ora o disco que hoje por aqui toca chama-se justamente Distractions (2006). O criador é o trompetista americano Roy Hargrove (com a banda The RH Factor), músico de formação em jazz, digamos, mais tradicional, e que tem vindo a pisar os terrenos ecléticos da neo-soul, do acid jazz e do hip hop.
Distractions transporta-nos então para um jazz que alia à sua faceta mais clássica toques inovadores aqui e ali: nas vozes melosas da soul e do rnb (veja-se, por exemplo, a voz de D'Angelo em Bullshit); na secção rítmica, com os drums bem acelerados a puxar ao funk; ou, ainda, o scratch (em Bullshit) e o vocal computarizado em Can't Stop.
As minhas distracções preferida deste disco são Crazy Race (com Renee Neufville), On the One, Family e Hold On.

Aqui fica Crazy Race, tocado ao vivo no Jazz Open Stuttgart 2005:


E Hold On no North Sea Jazz Festival 2005:

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

viagens


Agora que estou de partida para outras terras, lembrei-me de abrir aqui o mapa de uma das aventuras mais melodiosas da música portuguesa nos últimos 20 anos.
Viagens (1994) é um disco cheio de estilo, glamour e boa vibe. Embora à época do seu lançamento eu fosse ainda uma criança, creio ter sido um pequeno terramoto na música portuguesa. E note-se que era o primeiro disco de Pedro Abrunhosa...
Viagens é, para mim, um disco fantástico. Pelo sonoridade (preste-se a devida homenagem aos Bandemónio), pela irreverência e pela poesia de Abrunhosa. Quanto a esta última, acho que é capaz de gerar amores e ódios. Eu pessoalmente aprecio muito. Abrunhosa é inovador e diversificado também no canto, na medida em que fala, rappa, canta, declama,...
Abrunhosa, mais do que o tipo dos óculos escuros, é um músico complexo, capaz do melhor e do pior. Ora este Viagens faz parte indubitavelmente desse melhor...
Muito mais gostaria de dizer sobre Abrunhosa e sobre este disco, mas neste momento resta-me pouco tempo para descansar e partir. Oportunidades não faltarão!
Quanto à rua, ela estará por estes dias envolvida por uma acalmia ensolarada, afastados que estão, ao que parece, os dilúvios. Apenas no chilling do dia-a-dia poderei ir fazendo umas actualizações. Quem sabe com umas descobertas musicais empoeiradas por terras sicilianas. :)
Peace!

Viagens


Não posso +


Socorro



Tudo O Que Eu Te Dou - Pedro Abrunhosa

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Notorious



Está próxima a estreia do filme Notorious BIG, filme sobre o polémico rapper com o mesmo nome e mitificado desde a sua morte (1997, um ano depois do assassinato de Tupac Shakur) em circunstâncias ainda hoje pouco claras.
Desde co-fundador, a par de outros, do chamado gangsta rap à inimizade feroz (depois de uma grande amizade) com Tupac Shakur (a outra grande estrela do rap à época); desde um dos maiores prodígios n arte do freestyle a autor de alguns dos maiores clássicos da cena hip hop norte-americana dos anos 90; Notorious BIG é, acima de tudo, e como já se disse no início, polémico. Tal como Shakur, gerador de amores e ódios. Como, aliás, qualquer artista que faça da sua música uma perfeita expressão, quase sem reservas, do que é a sua vida e o que pensa sobre ela. Sem rodeios. Nu e cru.
Pessoalmente, Notorious não é, nem de longe, nem de perto, um dos meus rappers preferidos. Não pelo facto de, ao invés, ser um admirador do legado de Tupac. Apenas porque BIG nunca teve uma dimensão lírica como outros rappers da mesma época que aprecio. Notorious é duro nas palavras, directo sobre aquilo que fala (mulheres, fama, ciúmes e rivalidades, etc.). Por isto mesmo, é considerado um dos fundadores, a par de outros como os NWA ou o Ice-T, do hoje tão mediatizado gangsta rap. Ora para quem acompanha com alguma regularidade este blog, certamente que já se apercebeu de que o hip hop de que eu gosto não passa por essa vertente. Quanto à questão mais complexa de saber se este gangsta rap é, afinal, verdadeiro rap, isso deixo para os mcs dizerem de sua jsutiça. Desde que não exagerem, pois também já estou completamente saturado de ouvir um disco onde um mc passa as 12 ou 13 músicas a auto-intitular-se como verdadeiro e a xingar no mc falso, fake, não-real. Há tanta coisa no mundo para falar...

Voltando a Notorious, dizer, enfim, que são excelentes beats para tocar numa festa ou ouvir por casa, numa de chillar. O flow é sedutor e BIG sabe rimar com classe. Mas, lá está, naquele registo gangsta, embora por vezes também encontremos letras de forte introspecção existencialista e dramática q.b.
Quanto ao filme, pelo trailer, parece-me mais uma daquelas historinhas hollyodescas. Não pela história da pessoa em si, mas pela forma como é contada. Mas será sempre um filme obrigatório para todos os amantes do hip hop mais oldschool, permitindo-nos voltar àquela golden age dos anos 90 e ver o movimento todo a crescer. De West a East...
Rest in Peace!

Notorious BIG The movie trailer


Big Poppa


Mo Money Mo Problems


Juicy

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Prémio Nobel

Ouvi este som pela primeira vez há já algum tempo. Hoje, do nada, encontrei o seu clip.
Fuse é um dos elementos dos Dealema, colectivo do Porto e Gaia, responsável, entre outros, pela sobrevivência do hip hop mais underground da cena nortenha. Tal é a minha admiração pelos DLM que prefiro deixar a apreciação para quando aqui apresentar um seu disco. Quanto a Fuse, tem também mostrado o seu trabalho a solo, sob o heterónimo de Inspector Mórbido.
O beat abaixo, Prémio Nobel, nem é dos mais característicos de Fuse, no que à letra diz respeito. Para quem pensa em Fuse como o rapper do sobrenatural, do grotesco, das palavras crus, este som mostra algo diferente.
Gosto especialmente da música pelo destinatário a quem se dirige: todos os trabalhadores (em latíssimo sensu) ignorados e esquecidos pelos interesses, pelo mediatismo imposto ou simplesmente pelos acasos da vida. A nostalgia é muita...

Fuse - Prémio Nobel

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Capas: Blue Lines (1991)



Para fechar este chuvoso mês de Janeiro, aqui fica a capa de um disco também ele chuvoso.
Para muita gente, Blue Lines (1991), dos Massive Attack, marca o início da era do Trip-Hop. A lista de influências melódicas e rítmicas que estão na base do então emergente género é extensa: soul, jazz, dub, hip hop, electronica, breakbeat, downtempo, por aí fora...
No conjunto, é um som híbrido, capaz do efeito mais relaxante como do mais depressivo imaginável. Daí a ideia do chuvoso referida acima. Falo por mim, claro.
Este disco deu também a conhecer o Tricky, que 4 anos depois viria a lançar o seu Maxinquaye, inserido também ele na cena trip-hop. Mas bastante mais negro do que este Blue Lines.
Pessoalmente gosto muito deste disco.

keep shining, Raashan


A propósito dos Crown City Rockers, aproveito para apontar um dos albums de que mais gostei do ano passado: The Push.
Não é o album da banda em si, mas sim do seu vocalista, a solo. De seu nome Raashan Ahmad. Embora não conheça a sua música há tanto tempo como a de outros grandes mcs que admiro, e não tendo ele tanto trabalho como esses mesmos, posso no entanto dizer que este é um mestre de cerimónias de primeira linha. O jeito simples, inteligente e de espírito positivo lembra-me por vezes o Common (Common, sempre ele).
Quanto ao disco, desde Close a Cool Down, passando por Give thanks e Here We Go (jazzyyy shit!! com Kero One no beat), e não esquecendo If I (muito love no ar!), Peace, Shining e The Pressure, é todo um hip hop do melhor que se faz hoje. Underground, alternativo, chamem-lhe o que quiser. Hip Hop... para bom entendedor meia palavra chega.

O clip abaixo é muito interessante. Fica o convite para um eventual comentário!

Peace



Shining - Raashan Ahmad

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Alguém se lembra...




...dos Urban Species?
Provavelmente não.
Mas se ouvir a lindíssima Spiritual Love, provavelmente já lhe dirá algo. Listen (1994) é o primeiro dos dois discos da história dos Urban Species e onde esse inolvidável registo aparece. Mas a qualidade não fica por aí: espante-se com Hide and Seek, Musikism, Listen, The Consequence, The Experience e Brother.
Uma obra-prima.
Desaparecidos desde 1999. Que é feito? Voltem...

nota: Como a Spiritual Love é uma música que tem que ser ouvida em estado puro, deixo aqui a versão original da música e um clip ao vivo com a interpretação da mesma.

It's like two hearts, two minds, two bodies, two souls
Making one whole, now it's gotta be told
That what we have is more than just physical
Don't be so cynical, we got a spiritual love...



Spiritual love - Urban Species

Spiritual Love (ao vivo)


Listen (ao vivo com o francês MC Solaar)


Brother (ao vivo)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

sugestão

O clube GARE, no Porto, recebe esta sexta-feira Marc Hype e Jim Dunloop.
Marc Hype é um produtor e dj alemão envolto em tonalidades como o funk, hip hop, soul e breaks. É justamente o que eu gosto de tocar numa festa ou ouvir alguém a tocar.
Fica o convite.

Check out the scraaatch...


Marc Hype MySpace

rap nuestro hermano (II) quase meio ano depois


Já por aqui a agulha caiu em belos discos de rap espanhol: na altura ouviu-se três grandes registos de Frank T. Na altura apontei outros bons nomes da cena espanhola, casos de Mucho Muchacho, El Payo Malo ou os Violadores del Verso. Estes últimos, aka Double V, sem dúvida o nome mais sonante.
Ora há uns dias, uma amiga minha galega deu-me a conhecer uma prestigiada rapera. Chama-se Mala Rodríguez (que confuso que isto soa) e é dona de um rap assanhado q.b. Pessoalmente, desde que oiço hip hop nuestro hermano, sempre gostei muito da sonoridade dos versos na língua espanhola. Mas conheço quem não goste nada... A verdade é que gostar de rap espanhol passa muito por aí, pelo gosto de ouvir o trauteado animado dos espanhóis. Eu sempre gostei muito da língua em si, pelo que também se deve a isso o meu apreço...
Bem, voltando à Mala, fui procurar o seu primeiro disco: Lujo Ibérico (2000). É um disco de hip hop puro e duro: beats fortíssimos (o boom bap cru) com samples da nova (boa) escola (muita electrónica, fundamentalmente). A particularidade em Mala é que além de rappar com classe, também canta muito bem. O que não se vê em todos os rappers.
Liricamente, Mala oscila entre o discurso descomprometido e o de intervenção social. Isto num palavreado de uma mulher que controla... muito patroa, portanto. De Lujo Ibérico, escolho Tengo un trato, En mi ciudad hace caló (com Kaseo), Yo marco el minuto, El Gallo e A Jierro como as minhas preferidas.

Hombre mudo antes que ciego
ya se que pedir socorro no vale pa na'.
Pedir barril, haz el favor, pide uno lleno.
Lo mejor significa, barre tu terreno
y si hay que soñar, pues sueño
son misiones en el suelo,
asi piso el suelo,
asi me quito el velo,
a ti lo que yo mas quiero


Tengo un trato