quinta-feira, 28 de maio de 2009

(extra) Large


Se já apreciava o trabalho de Large Professor na produção de grandes beats para rappers como Nas ou o Jay-Z, desde que tenho conhecido os seus discos em nome próprio que me tenho deliciado com a qualidade deste veterano.
The LP (1995) foi o primeiro; e a seguir vem o 1st Class (2002), disco que estou neste preciso momento a ouvir.
A produção é das mais heterógeneas que já apalpei: é boom-bap, é jazzy, é hardcore, é electrónica, é oldschool, é newschool,... é BOM! Muito bom.
Neste 1st Class temos grandes bombas: "'Bout that time" (o beat faz-me lembrar o "Guess Who's Back" do Rakim!); "Stay Chisel" com o Nas no mic; "In the sun" com o maravilhoso Q-Tip; "Born to ball"; "Kool" ou a "Radioactive".

Segue-se o Beatz Volume 1 (instrumentals). :)

Representin' Lovely

Que o Sem Cerimónias (1997) é, aconteça o que acontecer, façam os Mind da Gap coisas muito boas ou muito más, um album incluido no top5 dos melhores de sempre do rap português, ninguém tem dúvida.
O que muita gente se poderá ter esquecido é que neste mesmo album, para além de todas as bombas ("Coalizão", "Como quem", "Dedicatória", "És como um don", "Falsos amigos", "Mestres sem cerimónias", "Nortesul", "O inimigo foi vencido", "O mundo é teu", "Oficiais MC'S", "O que seria de mim" e já estou quase a passar o disco a pente fino...) há uma beat muitíssimo arrojado. À época e hoje. Já alguém ouviu algum rapper português a tentar rimar do princípio ao fim em inglês com alguma consistência?
Em 1997 (!), os Mind Da Gap fizeram-no. Ou melhor, Ace fê-lo. Em "Representin' Lovely" temos um grande beat e um grande Ace em inglês. É corajoso, arriscado. Mas saíu muito bem.
Acho que ninguém dá o devido valor a isto...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

funk x4

Alguns hooot joints que tenho escutado nos últimos tempos:

The Meters - The Meters (1969)


The Commodores - Machine Gun (1974)


BT Express - Do It Till You're Satisfied (1974)


Brass Construction - Brass Construction IV (1978)

opinião

Lembrei-me agora:

No Jornal Tribuna da Faculdade de Direito da UPorto deste mês de Maio, escrevi um texto na minha coluna de opinião a propósito do Hip-Hop e de algumas das suas idiossincrasias. Abordei um pouco da sua história; as suas vicissitudes internas; apontei a ignorância de quem está de fora (e levemente também a de quem está por dentro) e as suas consequências para avaliações de foro cultural ou intelectual; e deixei algumas sugestões para o que acho que o hip-hop deve continuar a representar ou aquilo em que se deve reinventar.

Não deixo aqui o texto porque é demasiado extenso para alguém o lêr atentamente até ao fim num formato deste tipo (blog).
Se por acaso alguém estiver eventualmente interessado em passar-lhe os olhos, por favor que o solicite para o email tribuna.fdup@iol.pt, deixando morada, para a qual eu enviarei a edição impressa.

bons grooves!

Francisco.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Esta miúda


... vai dar muito que falar!
Estava eu a aborrecer-me com o que ouvia na colecção Future Hip Hop quando na faixa 5 (disco 2) despertei com a jovem Speech Debelle. Speeche Therapy é o album lançado este ano pela estreante. De Londres, e pela amostra abaixo, vem hiphop de sonoridade muito peculiar: na voz limpa e irreverente de Speech Debelle e no ambiente orgânico soul, jazz e pop.
Lauryn Hill, Macy Gray, Jean Grae... um pouquinho de todas! :)

Searching e entrevista


The Key


Go Then Bye

terça-feira, 19 de maio de 2009

Lost & Found

Depois do Version 7.0: The Street Scriptures (2005) - album que dá nome a este blog - Guru (provavelmente o meu rapper predilecto, a solo e nos Gangstarr com o Preemo) volta com 8.0: Lost & Found, a par com o produtor Solar.
O primeiro single chama-se "Divine Rule" e já tem clip. O beat é poderoso: o sample da "Supernature" dos Cerrone (90's) numa toada entre os eighties e a cena progressiva da música de electrónica dos tempos de hoje. É fresco, original e conta com o Guru de sempre no mic.
Das restantes músicas já disponibilizadas no youtube - "Lost & Found" e "After Time" - dá para ver que Solar apostou fortemente em samplar grandes clássicos dos mais diversos quadrantes musicais e épocas. Desde os citados Cerrone até nada mais nada menos que os Queen (!), em After Time. Hot shit!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E também a propósito do mesmo Stevie Wonder

e do mesmo Songs in the Key of Life, olha, olha o sample que eu encontrei....:



Sempre a aprender!

A propósito

do último post sobre o dvd do Stevie Wonder, ouvia eu a "I Wish" do album Songs In The Key Of Life (disco 1), quando tive a percepção de que já conhecia aquela malha de algum lado...
E conhecia!: a música serve de sample ao enorme êxito "Wild Wild West" do Will Smith. Ambos excelentes para tocar numa festa que se queira com muuuuito groove! A voz do refrão pertence ainda a Kool Moe Dee.

Stevie Wonder - I Wish

I Wish - Stevie Wonder

Will Smith - Wild Wild West

Live At Last: A Wonder Summer's Night


Li no suplemento ípsilon do jornal Público que o Stevie Wonder lançou recentemente um dvd com um concerto ao vivo: Live At Last: A Wonder Summer's Night, com a chancela da Motown (quem mais?). Na crítica assinada por Mário Lopes, são destacadas pérolas de alguns dos primeiros discos do Stevie Wonder que tenho andando a escutar intensamente nos últimos tempos: Talking Book (1972), Songs in the Key of Life (1976), Innervisions (1973) ou o Fulfillingness' First Finale (1974). Aliás, no CHILLING da barra direita do blog está a tocar nada mais nada menos que a Higher Ground.
Tanta coisa boa de um dos últimos grandes nomes vivos da música soul!

terça-feira, 12 de maio de 2009

West Coast Vibes



Roy Ayers é hoje conhecido pelas suas aventuras talentosas no cruzamento do jazz com outras tonalidades (soul, rnb, funk, hip hop). Aventuras que desembocaram no que hoje se chama de smooth jazz, jazz-fusion, soul-jazz, entre outros.
Todavia, apetece-me voltar um pouco atrás no tempo e tocar um jazz mais purista ou tradicional: West Coast Vibes é o primeiro disco de Ayers (1963), um disco de jazz super-melodioso, alinhadinho (fora da onda free-jazz da época, que pessoalmente não aprecio muito) e alegre.
Muito bonitinho.


It Could Happen to You - Roy Ayers


Reggie of Chester - Roy Ayers


Days of Wine and Roses - Roy Ayers

sábado, 9 de maio de 2009

déjà vu

Por falar no Ressurection, já por aqui tinha falado dele: http://streetscriptures.blogspot.com/2008/08/rua-fecha-para-frias.html

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Capas - Ressurection (1994)



Falava eu com o Sempei sobre clássicos hiphop do ano de 1994 (curiosamente um ano bastante fértil nesse sentido), quando ele me lembrou oportunamente de um que me estava a escapar: Ressurection, do Common (aí ainda) Sense.
Ressurection talvez seja o mais fiel espelho da golden age que muitos associam ao hiphop da década de 90. Trata-se de um album de sonoridade finíssima, onde os samples de soul e jazz são perigosamente viciantes. Um recital de humor, reflexão e eloquência no mic por parte do novato Common (era o seu segundo disco depois do Can I Borrow a Dollar de 1992). Para ouvir, voltar a ouvir, ouvir mais uma vez e ouvir novamente...
A capa é também ela muito bonita, creio. De certa forma, cria a imagética que se materializa na música propriamente dita: a sobriedade da onda blues (metade esquerda); a frescura e originalidade do mc no branco, rosa e verde (metade direita)...

sábado, 2 de maio de 2009

La Haine featuring CUT KILLER

O filme é o La Haine ("O Ódio", 1995), de Mathieu Kassovitz. Rodado maioritariamente num bairro dos subúrbios de Paris, a fita pretende fazer um retrato social dos jovens e do seu dia-a-dia. Para muitos um filme de culto, é para mim um amontoado pouco inteligente de clichés sobre racismo, violência e estereótipos. Não que eles não existam (à época e hoje!); só que em 1995, depois de tanta coisa já feita na mesma linha, podia esperar-se algo mais original e menos superficial. A questão não está em repetir o tema; está na forma como o fazemos. E quando a forma adoptada é quase sempre a mesma, a intenção de quem filma pode até funcionar contra sua vontade: banalizam-se os problemas, vulgarizam-se as lutas sociais.

O que queria mesmo trazer para aqui é este momento fantástico do DJ Cut Killer. Entre o "Nique La Police" (dos NTM) e o intemporal "Non, je ne regrette rien" de Edith Piaf, fica um espectáculo de técnica nos pratos. Veja-se também as rodas de break:

(a soul inicial é do Isaac Hayes)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Chullage



Há algum tempo que não ouvia uma "Rhymeshit que abala" ou uma "Música que Resiste". E aproveitei também ontem à noite, no Porto Rio, para conhecer coisas fresquinhas do seu album que está para sair. Deu para ver que os beats são bem melódicos (alguns mesmo muito bonitos!) e que o Chullage continua na mesma onda combativa...
Gostei muito.
E um props para aqueles com quem fui.