Depois de chegar à conclusão que o título deste post materializa, cheguei a uma outra: só tenho tocado por aqui álbums (ou outro formatos) de que ou gosto muito, ou não gosto nada, ou com que me desiludi tremendamente (hábito que vou tentar contrariar daqui para a frente) . Por isso mesmo, o disco tão apregoado nos últimos tempos de Dâm-Funk, Toeachizown, não apareceu por cá: não foi uma desilusão gigante porque gostei bastante de umas 4 ou 5 faixas; mas não me apeteceu tocá-lo porque depois de lêr tanta coisa fascinante sobre o disco (ele está presente em praticamente tudo o que é publicação sobre música!), achei que ele ficou bem aquém. Mas bem, de qualquer modo, leia-se esta excelente crítica, que tem o mérito de falar de Dam Funk, do seu álbum, de hip-hop, de funk e de electrónica (ainda caberia muito mais mas a enumeração já é extensa!) com uma eloquência e agilidade espantosas. Sabe bem ler quem sabe. Dâm-Funk - Toeachizown
P.S.: Nunca mais posto nada com a capa de um disco cor-de-laranja. Combina insuportavelmente mal com a cor do blog!
"At a certain point I think I got a way of my career when I said: I'm not going to complaint about Hip-Hop anymore, I'm going to make the Hip-Hop I wanna hear".
[Verse 1:] The dark brown shades of my skin only add color to my tears. that splash aganst my hollow bones, that rocks my soul. Looking back over my false dreams that I once knew. wondering why my dreams never came true.
[Chorus:] Is it because I'm black... somebody tell me what can I do... Something is holding me back, is it because I'm black.
Foi um dos guitarristas mais requisitados por todos os nomes grandes da soul e do funk norte-americanos, desde Marvin Gaye a Barry White, dando ainda uma mãozinha a monstros do jazz, casos de Herbie Hancock ou Pharoah Sanders. A sua guitarra e o seu muito próprio "wah wah sound" está presente numa catrapada de grandes álbums da história da música - pensemos apenas em Let's get it on (Marvin Gaye) ou Off the wall (Michael Jackson) para termos uma noção da coisa. A solo, tem apenas um álbum em nome próprio: Elementary (1976). É pouco? É. Mas a sua qualidade chega para nos dar uma imagem do músico que é Wah Wah Watson (nascido Melvin Ragin). Em entrevista à Wax Poetics dos passados meses de OUT/NOV, Kurt Iveson desvenda um pouco do homem-sombra de grandes momentos da música negra norte-americana, apontando nesse sentido 5 ideias-chave para se compreender a dimensão de Wah Wah. Passo a enunciar: um "vocabulário rítmico" muito próprio ("he's constantly doodling"); a forma como soube fazer uso de novas tecnologias (samplers e synths, por exemplo); a execução, a habilidade, a técnica, os skills; o "feeling" com que toca; e o último - o que me interessa pela sua peculiaridade - o marketing, o business. Sobre este, em especial: Wah Wah summed up his strategy like this: "I'm the bone looking for the dog, not the doog looking for the bone. (...) It's like, if you see someone you like, don't rush in there. You gotta be real casual, dog... That way, you'll make her want to come to you. Are you with me?". His point is that getting session dates is a little like getting the other kind of dates. Act like you need the work, and it just won't come. Come on too strong, and you're likely to get the bursh off.
Naif? Pretensioso? Para quem faz um disco como Elementary... compreende-se! Goo Goo Wah Wah
O Doom (que, a solo, não é dos meus rappers predilectos) convidou a tropa toda e fez um excelente álbum de Hip-Hop a fechar o ano de 2009! Tirem as vossas dúvidas:
Doom Ft. Vast Aire - Da Supafriendz
Doom Ft. Invizible Handz & John Robinson - Sorcerers
Ainda na senda das sugestões, fica uma outra: o blog one for the treble, two for the bass. Descobri-o há pouco tempo e tenho pena! Boa música e excelentes textos.
Por falar no Curtis Mayfield, acabo de passar numa papelaria e vislumbro na estante cimeira, meia torcida, a Wax Poetics nº 38, DEZ/JAN, com esse grande senhor na capa!
Não tenho agora dinheiro comigo, desculpe mas guarde-ma até amanho, por favor!, guardo sim, não se preocupe, obrigado!, de nada, obrigado!
A propósito de revistas, aproveito também para lembrar a entrevista do Sensational (Jungle Brothers) à WIRE de Dezembro.
O original que aqui fica não é, na verdade, o original, pois esse, o de Curtis Mayfield, não existe no youtube. Mas fica o remake feito para banda sonora do filme Claudine, de 1974.
... é mais ou menos assim, como se vê abaixo. Digo mais ou menos porque no clip presente, "The Birth of a Band" é tocada, não pelo original - Quincy Jones -, mas pela "Cope Midle School Jazz Ensemble", de quem nada sei a não ser o facto de serem as únicas almas caridosas responsáveis por esta música estar disponível no youtube. EsteThe birth of a band (1958) é um estrondo.