Já há mais de dois anos que ando com imensa água na boca por causa deste projecto. E de cada vez que revisito o cheirinho ofertado ("Dá-me 1 Sinal"), o apetite é maior e maior. "Dá-me 1 Sinal" é uma faixa de produção refinadíssima (taaanta soul!) e onde Maze põe palavras de sedução com a simplicidade dos melhores "palavreadores".
Li, há uns tempos, no myspace do Ace (Mind Da Gap) que em virtude de um crash no seu pc, muita da produção discográfica em que andava envolvido foi ao ar. E nesse texto, a propósito dos ficheiros irrecuperáveis, Ace fala de um "álbum do Maze"...
Pergunta: foi o álbum dos SUB_VERSO? Se sim, o que é feito do projecto? Está a ser reconstruído? Vai chegar a ver a luz das montras? Quando? Em breve ou nem por isso?
A quantidade de perguntas é proporcional à vontade de correr em direcção a uma loja e devorar esse disco do princípio ao fim...
ADENDA: Numa segunda leitura do texto do Ace, registo que o álbum a que Ace se refere seria de Maze, sim, mas a solo. Ou seja, uma parte do texto acima perde sentido. Todavia, a parte mais importante (a central, na verdade), mantém-se: para quando o álbum dos SUB_VERSO? O que é feito?
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Seada
O Seada (pronuncia-se "sida"), além de mc, estudou na mesma escola que eu e rappou em palcos ao lado de amigos meus. A ele, pessoalmente, nunca o conheci. Apenas ao irmão, também ele um amante de música rap (props, Pipas!).
Quanto ao Seada, desde que descobri o seu myspace que me apaixonei pelos seus beats e pelos seus versos. Desde então que me vinha a interrogar: para quando o momento do justo reconhecimento deste mc no panorama do rap português? De quando em vez, lá aparecia ele em colaborações circunstanciais de myspace, em mixtapes muito underground, num ou noutro concerto. Parece-me que as atenções só agora nele se retiveram, com o clip que abaixo fica.
O que posso dizer é que fico muito satisfeito pelo hip-hop português poder agora conhecer em pleno um valor como este; e muito feliz por ele, que há tanto tempo anda no underground a produzir e compôr letras como poucos.
Parabéns!
Seada ft. Dino & DJ Nelassassin - Taxi! (faixa da compilação Best Off)
A propósito, a letra acima no clip nem é aquela, do seu repertório, que mais me agrada. Há outras coisas belíssismas, que podem ser encontradas no seu myspace. Fica um excerto da faixa "Quando produzo o meu jazz":
"Também tenho febre e escrevo
o meu diário cheira a novo
de páginas velhas a anos
à espera de ser estreado
poucos
foram os instantes
é frustrante tentar falar* de mim fluentemente
sabendo que nunca o fiz antes
Cabelo despenteado
uma mente genialmente estragada
num corpo atarracado
Genuinamente falso
porque eu quero ser feliz
obrigo-me a ser outro
para que gostem mais de mim
Talvez seja mentira
mas escrevo
pelo sim, pelo não
talvez um dia perca o medo
sempre foi o meu segredo
mas nunca o escondi
se fiz com que nunca me entendessem
foi porque nunca disse isto assim...
Eu nunca quis ser assim
sempre foi mais fácil
dizer de forma confiante
que tinha defeitos
e respondiam-me
"mas quem não os tem"?
ser o primeiro a confidenciar
com aquele ar desinibido de auto-controlo
que fica sempre bem...."
(Métrica construida livre e descomprometidamente por mim e que, por isso, não corresponde à original. Se falo pela segunda vez nesta questão, é porque, de facto, considero fundamental esse aspecto para a estética e para a própria fonética do poema).
* Não estou certo quanto ao termo "falar".
Quanto ao Seada, desde que descobri o seu myspace que me apaixonei pelos seus beats e pelos seus versos. Desde então que me vinha a interrogar: para quando o momento do justo reconhecimento deste mc no panorama do rap português? De quando em vez, lá aparecia ele em colaborações circunstanciais de myspace, em mixtapes muito underground, num ou noutro concerto. Parece-me que as atenções só agora nele se retiveram, com o clip que abaixo fica.
O que posso dizer é que fico muito satisfeito pelo hip-hop português poder agora conhecer em pleno um valor como este; e muito feliz por ele, que há tanto tempo anda no underground a produzir e compôr letras como poucos.
Parabéns!
Seada ft. Dino & DJ Nelassassin - Taxi! (faixa da compilação Best Off)
A propósito, a letra acima no clip nem é aquela, do seu repertório, que mais me agrada. Há outras coisas belíssismas, que podem ser encontradas no seu myspace. Fica um excerto da faixa "Quando produzo o meu jazz":
"Também tenho febre e escrevo
o meu diário cheira a novo
de páginas velhas a anos
à espera de ser estreado
poucos
foram os instantes
é frustrante tentar falar* de mim fluentemente
sabendo que nunca o fiz antes
Cabelo despenteado
uma mente genialmente estragada
num corpo atarracado
Genuinamente falso
porque eu quero ser feliz
obrigo-me a ser outro
para que gostem mais de mim
Talvez seja mentira
mas escrevo
pelo sim, pelo não
talvez um dia perca o medo
sempre foi o meu segredo
mas nunca o escondi
se fiz com que nunca me entendessem
foi porque nunca disse isto assim...
Eu nunca quis ser assim
sempre foi mais fácil
dizer de forma confiante
que tinha defeitos
e respondiam-me
"mas quem não os tem"?
ser o primeiro a confidenciar
com aquele ar desinibido de auto-controlo
que fica sempre bem...."
(Métrica construida livre e descomprometidamente por mim e que, por isso, não corresponde à original. Se falo pela segunda vez nesta questão, é porque, de facto, considero fundamental esse aspecto para a estética e para a própria fonética do poema).
* Não estou certo quanto ao termo "falar".
tons:
Hip-Hop português,
Seada
domingo, 5 de julho de 2009
Eu Não das Palavras Troco a Ordem

Já não comprava um disco de hip-hop português que me desse tanto prazer de escutar como este. Aliás, já não comprava um disco de hip-hop português há bastante tempo.
Nerve é um caso sério. Nos poesia, na métrica cantada da mesma, nos beats, na interpretação pessoalíssima com que modela as palavras e as respirações (quase que o vemos a gesticular mesmo à nossa frente), no negrume cínico e imprevisível (e depressivo, claro) que é transversal a todas as faixas do disco.
Uma vez que antes de ir comprar o disco, já tinha ouvido umas coisas na net, fiquei excitadíssimo quando vi na capa "INCLUI LETRAS DAS MÚSICAS". Excitadíssimo e, ao mesmo tempo, surpreso, pela transparência de alguém que põe na sua música palavras tão cruas.
A surpresa desfez-se. As letras vêm redigidas num complexo sistema de inversão que as tornam ilegíveis. Mesmo agora que já descobri o caminho lógico para as decifrar, acabei por me decidir a não fazê-lo, quase num respeito íntimo para com o autor.
Para mais, esteticamente falando, Nerve salta anarquicamente o campo do hip-hop com uma produção não raras vezes puramente experimental, louca, desconcertante. Para trás e para a frente, dá voltas e voltas numa sonoridade eclética e estranha q.b., sem nunca cair, todavia, nos minimalismos chatos ou monótonos da música experimental mais frequente nos dias de hoje. É rap, é indie, é spoken word, é electrónica, é tudo isto mais os rasgos excêntricos de um jovem da minha idade (creio) com uma caneta endiabrada...
Este é um grande, grande disco e de impacto ainda desconhecido para a música portuguesa, arrisco eu.
"Nunca fales com estranhos!"
Não falo, está prometido!
(...)
Ei, eu sou estranho e ninguém quer falar comigo...
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